Sobre o tal valor do planejamento

escrito por Felipe Senise em 24/08/2010 | 9 comentários
categorias: Pensamento, Planejamento

Preciso começar esse post com um disclaimer: esse texto não é uma opinião, é uma dúvida. Não costumo escrever textos assim, mas sempre tem uma primeira vez para tudo.

Onde está o maior valor do planejamento?
Tenho me questionado muito sobre isso.

Não faz muito tempo que o planejador era o cara que recebia um problema do cliente, sentava, estudava, pesquisava, tinha insights, bolava uma estratégia, escrevia um conceito, brifava a criação e a campanha saia com muito mais chance de ter um resultado eficiente.

Hoje, parece que isso virou coisa de tiozinho. O negócio é mudar todo o brief do cliente, não pesquisar nada, formar um trio com a dupla de criação, ter umas ideias modernas e correr para o abraço. E quanto mais difícil for o processo, melhor. Se não suar sangue em reunião, não valeu.

Claro que estou fazendo uma caricatura tanto do ontem como do hoje. Mas há uma reflexão importante no meio da brincadeira.

O valor do planejamento está na estratégia ou no processo?
Nas ideias estratégicas ou criativas?

Pense nisso: se você fosse definir o planejamento com uma função, qual seria?
Qual é o core do trabalho do planejador?

Definir uma estratégia que impacte na ideia criativa visando a eficiência da comunicação?

Criar histórias e projetos junto com criação, mídia, internet etc. e ver de modo mais evidente sua participação no produto final?

Esqueçam por um momento que a gente é super herói e tem que fazer tudo isso e muito mais e reflitam sobre a essência do nosso trabalho e sobre o seu valor no processo de comunicação.

Qual é nosso principal diferencial? Qual seria a tagline de um brief que vendesse o planejador para o dono de uma agência de propaganda? Por que ele nos pegaria numa prateleira em vez de outra dupla de criação ou um channel planner?

Como eu disse: muitas perguntas, nenhuma resposta e uma discussão totalmente em aberto.

 

 

 

Então você quer fazer um depto de planejamento…

escrito por Werner Iucksch em 13/07/2010 | 2 comentários
categorias: Pensamento

Nos últimos 10 anos eu passei por agência grande, média e pequena, em SP ou fora de SP, com maior ou menor tradição de planejamento. Ao longo deste tempo percebi que têm coisas que são fundamentais para que um departamento de planejamento estratégico seja funcional; seja este composto de 1 ou de 15 pessoas.

A pedido do CHMKT eu escrevi o post abaixo, listando 10 coisas que me parecem fundamentais para que um depto de planejamento faça mais do que power points. Não está em ordem de importância e se você pensar em outros pontos, coloque nos comments, acho que seria uma discussão legal. E se não concordar com nada também é só falar…. Abs.

1) Se o departamento for pequeno, prefira profissionais seniores.
Discutir estratégia com um cliente é impossível sem saber direitinho como propaganda funciona, sem entender muito bem o negócio do cliente e sem bagagem cultural adequada. Em pouco tempo o cliente vai perceber que o “planejador estratégico” é apenas uma alegoria.

2) Planejadores devem – preferencialmente – responder à direção geral e não ao diretor de criação ou de atendimento.
Planejamento estratégico funciona melhor quando existe liberdade para ter idéias e discuti-las de igual para igual. Ter um planejador para fazer power points de idéias da criação é desperdício de dinheiro.

3) É importante que os profissionais do departamento tenham uma veia “pedagógica” bem desenvolvida
Clientes não acostumados com estratégia de comunicação por vezes podem entender que trabalho institucional é muito conceitual para gerar qualquer resultado prático, que pesquisa é desperdício de dinheiro (afinal ele já sabe tudo) e coisas do gênero.

4) Planners precisam ter autonomia para dizer “não” aos clientes.
Para fazer seu trabalho, planner por vezes precisam defender pontos de vista polêmicos ou até opostos à crença do cliente. Isso não significa bater de frente, mas implica em entender que haverá alguma dor de cabeça em prol de um trabalho mais consistente. A direção da agência precisa dar suporte ao planner nessas ocasiões, pois a credibilidade deste profissional frente ao cliente é fundamental para sua eficácia.

5) É importante que o restante da agência saiba o que é planejamento
Se mídia, atendimento e criação não souberem quando envolver o planejamento e quando podem contar com ele, o departamento corre o risco de virar uma fábrica de bullshit feita para embasar idéias pensadas pelas outras áreas.

6) Planejadores não são usados apenas em concorrência e nem só para tocar pesquisas
Planejadores aceleram muito o processo de aprendizagem relativo a novos clientes e por isso são fundamentais em prospecções. Todavia o trabalho de um planejador também é muito útil para cavar novas oportunidades em clientes existentes, pois ele pode fazer com que a agência ganhe/aumente/recupere status de parceiro estratégico dentro do cliente.

7) Selecione clientes com os quais o planejador deve ter mais envolvimento
Um plano estratégico bom pode demorar mais de um mês para ficar pronto, dependendo da extensão de pesquisa necessária e complexidade dos problemas da marca. Para o trabalho de um planejador ser consistente em uma conta, portanto, ele precisa de tempo para conhecer o cliente de cabo a rabo. É importante estabelecer clientes preferenciais e conhecer tudo deles. Claro que também pode haver envolvimento em clientes secundários de tempos em tempos, mas é importante que haja envolvimento constante com os principais.

8) É preciso reservar um orçamento para o departamento
O departamento precisa muito de um serviço de acompanhamento de anúncios da concorrência como Arquivo da Propaganda ou Cenbracom, e de tempos em tempo irá precisar – entre outros – contratar pesquisas quanti e/ou quali para projetos internos/concorrências, além de comprar artigos/reports sobre determinados assuntos (nem tudo se acha de graça na internet).

9) Saiba bem o que a agência quer do seu planejador
Existem planejadores com perfil mais analítico, com perfil mais intuitivo, mais criativos, mais orientados a negócios, etc. É preciso entender bem que tipo de planner é o mais adequado para o perfil da agência e dos clientes com os quais ela atua/quer atuar. Se sua agência tiver mais de um planejador, é preferível ter uma variadade de estilos.

10) Cobre do seu planejador uma parceria com a criação e a mídia.
Planejador não deve apenas ficar “planejando” e depois passar a bola para mídia e criação. Se o profissional ficar isolado e não trocar idéias com outras pessoas da agência ele dificilmente conseguirá atingir todo o seu potencial.

 

 

 

presentation lions

escrito por Mastropietro Luiz em 05/07/2010 | 2 comentários
categorias: Apresentações

Durante o CannesLions que rolou de 20 a 26 de junho, um planner freak assistiu à diversas palestras e debates que rolaram no festival em busca dos slides mais inspiradores. O resultado pode ser visto nesse compilado abaixo, que traz os 100 slides mais bonitos de Cannes:

Do jeito que a coisa vai, logo logo Cannes vai criar o “Presentation Lions”.

 

 

 

a bibliografia do Brasil no google

escrito por Mastropietro Luiz em 01/07/2010 | 1 comentário
categorias: Mí­dia, Pesquisa

Nos arquivos históricos sobre tudo o que o Google lê sobre o Brasil, existem apenas quatro grandes eventos que fogem da curva: tudo começa com o descobrimento em 1500. Depois vêm a Independência, em 1822 e a abolição dos escravos em 1888. O último pico vêm com a Copa do Mundo de 2002 e o Pentacampeonato do Brasil.

São fatos históricos que surgiram muito antes da era da conversação massiva digital. Em tempos em que um narrador brasileiro vira notícia global da noite para o dia, dá a impressão de que a Copa de 2010 ou 2014 tenham mais potencial de serem falados do que a própria descoberta do país.

Ao mesmo tempo, esses eventos raramente serão tão marcantes e perenes como os fatos do milênio passado. Nesse novo cenário, tudo é mais falado, discutido e remixado, tudo fica gigante mais rápido, mas ao mesmo tempo some com mais rapidez. Tudo pode virar um hit em 15 minutos, mas geralmente cai no esquecimento 15 dias depois.

Em tempos voláteis de assuntos fugazes, como manter uma conversa mais consistente sobre seja lá o que for?

 

 

 

Mais estratégia e menos mídia

escrito por Werner Iucksch em 30/06/2010 | 1 comentário
categorias: Ad, Inspiring

Não é porque um negócio é pequeno que ele precisa ter comunicação capenga. Aliás, é nessas horas que inventividade pode fazer maior diferença. Numa viagem recente esbarrei nuns exemplos bacanas”

Essa é a melhor: queria escolher uma empresa para ir mergulhar e fiz o que todo viajante faz, entrei no Trip Advisor. Dezenas de comments positivos referentes a uma tal de “Poseidon”. Acabei comprando pacote deles e ao final do passeio descobri como é que eles conseguiram toda essa moral.

Um segundo caso legal é esse de uma cafeteria. Basicamente de graça, esse quadro negro é muito mais eficiente do que falar que eles tem Capuccino e Expresso (até pq todo lugar tem isso). Volta e meia aparecia uma velhinha para corrigir o número, sensacional…

Por último uma coisa super simples, mas que também dá um caldo. Na marina do lugar onde eu passavam centenas de pessoas por dia. A maioria fazia passeios com empresas grandes, mas diversas empresas menores vendiam passeios complementares logo ali, na boca. Era sair de um barco e comprar pacote com outra aventura para o dia seguinte, sem nem pisar em terra firme.

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Esses são apenas alguns exemplos, lógico, mas me fez pensar em um negócio que eu ouvi esses dias. “Quem investe mais em estratégia não precisa investir tanto em mídia e produção”. Dito e feito.

 

 

 

Planner além da frase de efeito

escrito por Felipe Senise em 21/06/2010 | 2 comentários
categorias: Pensamento, Planejamento

O InComMetrics é um blog que você deveria ficar de olho. Ele trata de um assunto que pode parecer chato, mas que vai começar a pautar cada vez mais o seu trabalho: retorno de investimento em comunicação. Assim eu espero e torço, pelo menos.

O blog é uma iniciativa do Ceacom, um núcleo da Universidade de São Paulo dedicado a estudar a ciência por trás da mensuração de resultados e comandado pelo professor Mitsuru Yanaze, uma das nossas maiores autoridades no assunto.

O Diego Senise – editor do blog e mais conhecido como “meu irmão” – escreveu um texto especialmente para o Estalo, falando um pouco do papel do planner nesse papo todo de ROI.

Espero que você se sinta devidamente provocado :-)

Planners gostam de se sentir pensando em coisas mais complexas do que seu próprio trabalho exige. Dão uma volta inteira no mundo conceitual em busca de insights nunca antes imaginados, punch lines históricas. Mas, no fim do dia, o assunto para quem planeja comunicação deve ser dinheiro, mesmo que isso pareça pouco inspirador.

Matt Willifer, Head of Planning da M&C Saatchi e presidente do UK APG, diz que os planners são máquinas de fazer dinheiro, são pontes entre uma iniciativa criativa e uma lucratividade maior.

Legal. Mas a prática é diferente. Continuamos com nossas funções divididas nas agências pela mentalidade “só faço o que meu job description pede”. Planejamento com seus insights. Mídia com seus cálculos pré-fabricados. E os clientes com suas dúvidas sobre investimento em comunicação mal respondidas.

Se os planners não puxarem para si a responsabilidade de avaliar os resultados de comunicação de forma mais séria, este projeto dificilmente sairá do papel.

Por que os planners? Simplesmente porque estão mais aptos a transformarem os objetivos de negócio do cliente em objetivos de comunicação mensuráveis. É o que já fazemos atualmente, transformar aquela matéria-bruta (briefing confusos dos clientes) em pontos mais claros sobre como a comunicação pode fazer diferença para o negócio.

O que nos falta é perceber que nosso trabalho não termina quando a criação compra nossa idéia e faz uma campanha brilhante. Este entendimento dos objetivos a serem atingidos deve ser discutido com a mídia, institutos de pesquisa e com o cliente.

Assim, provavelmente, chegaremos a KPIs (key performance indicators) mais relacionados aos resultados de negócio. Mais do que isso, teremos indicadores de sucesso combinados previamente. Trabalharemos já sabendo como seremos avaliados.

Sem esta etapa simples (definição de objetivos mensuráveis e alinhamento dos indicadores) qualquer indicador que surja posteriormente pode facilmente transformar-se em mais um sofisma num mar de números sem sentido.

 

 

 

uma promoção pessimista

escrito por Mastropietro Luiz em 14/06/2010 | 2 comentários
categorias: Non-sense

 

 

 

O bom senso contra todos

escrito por Werner Iucksch em 14/06/2010 | 1 comentário
categorias: Pensamento

A concorrência pela conta da Petrobras, na sua segunda encarnação, foi sobre biocombustíveis… enquanto fazia o trampo esbarrei em uma que sem dúvida alguma é antológica. O cúmulo da irresponsabilidade, poderia bradar o chato de hoje em dia, mas sem dúvida alguma divertido pra caramba.

 

 

 

Cade a criatividade que estava aqui? A mediocridade comeu.

escrito por Felipe Senise em 09/06/2010 | 10 comentários
categorias: Pensamento

Provocação da Luciana Musa, especialmente para o Estalo:

“Noite em claro. Pescoço dolorido. Olhos borrados de rímel. Garganta seca. Roupas suadas. Não, isso não é a descrição de uma noite ao lado de um latin lover. É o retrato das últimas horas antes de uma grande apresentação em qualquer agência de comunicação.

Nas primeiras vezes em que você passa por isso, o evento em si te deixa entusiasmado. Você sente que, finalmente, está vivendo aquela fabulosa vida estereotipada de uma pessoa bem-sucedida no mundo da propaganda. Você realmente sente que faz parte de um grupo de pessoas interessantes. E acredita que o que você faz, não importa quão insignificante seja, é fundamental para ganhar aquela conta ou promover a agência ao estrelato.

Muitos de nós, com o passar do tempo, tendem a superar aqueles primeiros arroubos de alegria. De repente você percebe que andar descalço no chão do escritório à meia-noite para pegar suas cópias na impressora não oferece mais aquele gostinho de liberdade que você sentia antes. Você começa a achar que comer pizza fria numa sala de reunião abafada com seu chefe, antes tão educado e agora transformado em datilógrafo maníaco de dedos engordurados, não é tão divertido quanto parecia ser.

Onde foi parar o charme e a energia que você acreditava tão entusiasticamente colaborar para o processo criativo?
Como todo bom ser humano, com o passar do tempo começamos a culpar os outros por este estranho sentimento de vazio. Começamos a culpar nossos clientes, nossos chefes, nossos cônjuges, a economia e – por que não – nossa própria sorte. E então, conscientemente ou não, as pessoas tendem a fazer o mínimo para não serem demitidas e para garantir o contracheque no final do mês. A maioria se acomoda então na boa e confortável mediocridade.

Sem me basear em nenhum resultado de pesquisa e confiando somente na minha natureza neurótica de observadora da vida, calculo que o mal da mediocridade confortável contamina 90% das pessoas que trabalham em agências de comunicação em todo o mundo. OK, talvez eu esteja exagerando um pouco, mas você entendeu meu ponto.

A mediocridade confortável é definitivamente pandêmica.

A criatividade também pode ser. Mas é necessário muito mais do que boas intenções para que ela – a criatividade – se torne verdadeiramente contagiante dentro de uma agência.

Para a criatividade ser efetivamente pandêmica é preciso um significativo exército de indivíduos que pertençam à parcela dos 10% Afortunados da humanidade.

Essa fatia é composta de pessoas de qualidades completamente diferentes. Elas são interessantes por natureza. Não precisam “se vestir como um criativo” ou empregar as 5 palavras de marketing da moda para contribuir com uma boa ideia. Elas instintivamente se inspiram em livros, em pessoas, cachorros, jogos, esportes, na história ou em qualquer outra coisa em suas vidas.

Os 10% Afortunados são criativos não porque sejam responsáveis e entendam a importância de ter boas ideias em sua área de atuação. Eles são criativos simplesmente porque não poderiam ser de outra maneira. Os 10% Afortunados nascem com o desejo, não o dever, de fazer com que a criatividade seja contagiante.

Já que nem todo mundo nasce desse lado da estatística, não se pode esperar que todos os indivíduos da agência tenham o desejo de fazer com que a criatividade seja contagiante. O que podemos fazer é criar um ambiente onde os 10% Afortunados possam exercer sua mágica: fazer com que os outros 90% da agência acreditem que eles também podem ser aquelas criaturas brilhantes e criativas que tanto sonharam ser no começo de suas carreiras.

Não importa quão brilhante, original e cheio de vitalidade um Afortunado seja: se ele estiver trabalhando numa empresa burocrática apenas focada nos lucros e repleta de pessoas medíocres, ele morrerá – lenta e sistematicamente. Porque, no começo, pensará que sozinho pode mudar o mundo – o que é natural que os 10% Afortunados pensem; mas a criatividade é algo frágil quando sozinha, e a mediocridade do grupo irá secar suas esperanças e inteligência até o derradeiro fim.

É por isso que as agências deveriam oferecer um ambiente propício à vida dos 10% Afortunados: com pessoas de quem você gosta – para que você possa ter alguém para beber junto, falar mal dos outros e com quem você possa contar; com pessoas que você admira – para que você possa se sentir um perfeito idiota e entender que não importa quanto você se acha incrível, você sempre tem algo a aprender; e com pessoas que você despreza – para você sempre se lembrar o que você não quer ser (mas, cuidado, mantenha esta porcentagem a um mínimo ilustrativo).

E também um ambiente que promova uma cultura colaborativa para formar um grupo de pessoas que não tenham medo de dizer a verdade umas para as outras, ou de discordarem umas das outras. Enfim, um grupo de pessoas que realmente acreditem que podem fazer com que sua Agência seja o lugar que elas sempre sonharam trabalhar.”

 

 

 

Peixes grandes em um lago pequeno

escrito por estalo.org em 20/05/2010 | 6 comentários
categorias: Estalo do leitor

Mais um estalo do leitor, desta vez do Leandro Alpi, planejador da Domínio Público.

Quem já ouviu falar na teoria das Cidades Globais sabe que existem no mundo algumas poucas metrópoles que determinam o destino do mundo. Uma das premissas da tese é que estas cidades, conhecidas como Alfa, são vizinhas no que diz respeito à cultura, à economia e à sociedade – por mais que sejam geograficamente distantes.

Simplificando é mais ou menos assim: um cara que mora em São Paulo está mais próximo de um morador de Hong Kong do que de um vizinho geográfico que more, por exemplo, em Mossoró. E o interessante é que essa proximidade não é só cultural e econômica: pense bem, certamente você conhece alguém que mora em NY, Londres ou Paris, mas dificilmente conhecerá alguém que more em Macaé.

Mas segundo essa matéria do NY Times, essas relações podem estar mudando: com a superlotação das metrópoles e a queda da qualidade de vida nos grandes centros, as pequenas cidades estão se tornando pólos atrativos de pessoas que querem desenvolver um trabalho interessante e de vanguarda sem ter que ler “A arte da guerra para Executivos” para conseguir sobreviver na selva corporativa.

São pessoas que cansaram de ser apenas mais um peixinho dourado nadando ao lado dos tubarões.

No âmbito da industria criativa, esse movimento é mais viável e já acontece há algum tempo nos EUA, onde cidades como Boulder e Portland hospedam agencias globalmente famosas como a Crispin e a W+K. Na Austrália, por exemplo, uma pequena agência de Brisbane levou quase todos os GP´s de Cannes em 2009 com o case “The Best Job in The World”.

São pequenos lagos para peixes grandes, que querem nadar contra a corrente da Madison Avenue e para isso saem procurando novas águas mais férteis para viver, criar e trabalhar.

Já no Brasil o mercado de SP continua ditando e é difícil encontrar idéias incríveis que saiam de outros lugares que não do eixo Vila Olímpia – Av. Paulista.

Mas por outro lado, a democratização da informação tende a permitir o nascimento de novas e pequenas cidades Alfas. A pergunta então é: nesse Brasil que finalmente parece ser o pais do futuro, como e onde surgirão esses novos pequenos centros?

Quem sabe um dia São Tomé das Letras vire uma Boulder brasileira, ou Floripa vire uma próxima “MinneAdpolis”.

 

 

 

Se eu fosse o google

escrito por Mastropietro Luiz em 13/05/2010 | 7 comentários
categorias: Pensamento

Sempre que alguém tem uma idéia fantástica, uma das primeiras providências é ir ao Google e digitar a invenção para ver se alguém já pensou nisso antes.

Dentro da idéia da “Teoria Conspiratória do Google”, eu sempre fico com receio de digitar essas idéias achando que tem alguém do outro lado da tela, observando todas as palavras, expressões e frases que não retornaram nenhuma ocorrência no Google.

Um departamento interno que age como uma espécie de “Google Trends” das idéias ainda não publicadas no intuito de roubá-las para serem usadas pelo próprio oráculo googliano.

Se o Google tem isso, não há como saber. Mas dá para imaginar que eles teriam um bom database de idéias para serem incubadas.

Espero que o Google não leia isso ;)

 

 

 

Exército anuncia guerra ao PowerPoint

escrito por Mastropietro Luiz em 29/04/2010 | 6 comentários
categorias: Apresentações, Pensamento

Se por de trás de uma simples campanha publicitária sempre existe um Powerpoint repleto de slides, imagine o que acontece com os planejadores de guerra do exército? Foi assim que o exército americano conheceu o seu maior inimigo: o PowerPoint.

Se nas agências é possível ver os criativos zombando dos planners e seus bullets, no exército americano o tempo dos militares gasto com os slides virou motivo de chacota nos corredores do Pentágono e disparou uma discussão sobre o uso do programa conforme relata a matéria do NYTimes.

A história começou com esse complexo slide-infográfico, usado pelo exército americano que vazou e veio parar na internet:

Quando o general McChrystal viu esse slide, brincou: “Quando nós entendermos esse slide, nós vamos ganhar a guerra” – e todos na sala caíram em gargalhada. O grande problema na visão do exército americano é que “os slides criam uma falsa ilusão de entender o todo e a ilusão de se ter controle sobre ele – porque alguns problemas do mundo não são ”bullet-izáveis”.

A febre com os slides é tamanha que os iniciantes do exército são chamados de “Powerpoint Rangers” e alguns generais até já proibiram o uso dos PPT´s em suas unidades por acharem que “Powerpoint make us stupid”.

Por outro lado, boa parte dos militares americanos reconhecem que histórias bem contadas em “storyboards” podem estimular o pensamento crítico, analítico e persuasivo em detrimento dos bullets desconexos, chatos e intermináveis.

“A Arte da Guerra” pode ensinar muito sobre planejamento. Mas a arte dos planners também poderia ensinar bastante ao exército.

 

 

 

Propaganda e crianças

escrito por Werner Iucksch em 22/04/2010 | 8 comentários
categorias: Cultura Pop

Caracas, que medo de mim mesmo…

 

 

 

O melhor do YouTube, de acordo com o Google

escrito por Werner Iucksch em 11/03/2010 | Sem comentários
categorias: Eventos

A Contagious fez um evento em Londres que deve ter sido muito bacana: O Futuro da Propaganda. Tinha gente falando de mobile advertising, modelos de agências, produção digital e algumas coisas a mais de gente muito quente.

Nem tudo está disponível online ainda, mas vi a apresentação do cara do Google sobre como as pessoas e empresas estão fazendo coisas muito bacanas com o YouTube, realmente vale a pena ver, pensar e inovar em cima.

Clique para Entrar

Acompanhem o twitter da Contagious, pois é lá que eles tão dando as URLs das apresentações disponíveis.

 

 

 

tour de planner, o intercâmbio do bem

escrito por Mastropietro Luiz em 10/03/2010 | 1 comentário
categorias: Atitude, Experience, Inspiring, Planejamento

“Trazer pessoas, culturas e idéias do mundo inteiro para fazer o bem para as pessoas, transformando as organizações e a sociedade.”

A frase que parece um clichê socialista é a proposta da TIE, uma rede de global de planejadores dispostos a desenvolver soluções para ONG´s e projetos sociais ao redor do mundo.

A idéia é simples: usar os skills de comunicação para fazer o bem, resolvendo problemas de comunidades em vários lugares do mundo, mesmo com um budget pequeno. São treinamentos direto no campo de um mês, que envolvem missões, produção áudio-visual e geração de conteúdo em meio a um “choque de realidades”.

Um planejador de uma marca de sabonete, por exemplo, poderia exercitar uma solução em como reduzir o desperdício de água em uma árida cidade do sertão nordestino. Para quem está acostumado a fazer milagres com briefings corporativos, ser desafiado a responder a briefings sociais em outras culturas pode ser bem inspirador. No final da viagem, ao invés de trazer apenas um álbum de fotos, cada participante um deve trazer um case.

Os projetos são patrocinados por agências como a BBH, JWT e W&K, que incentivam a experiência de seus planners para desenvolver suas habilidades criativas e interpessoais em um contexto global. E mais do que isso, encoraja os planejadores a FAZER alguma coisa, de forma a mudar um comportamento:

O TIE é uma alternativa legal àquelas viagens que algumas pessoas fazem à África para prestar serviços sociais – é mais a cara de um publicitário do que de um médico.

E quem sabe um dia o “tour dos planners” não entra no portfólio da CVC, ou ao menos na C.I – Central do Intercâmbio?

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Estalos Relacionados:
Planejamento útil na cannes dos planners
Leão que serve para alguma coisa

 

 

 

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