tour de planner, o intercâmbio do bem
escrito por Mastropietro Luiz em 10/03/2010 | 1 comentário
categorias: Atitude, Experience, Inspiring, Planejamento
“Trazer pessoas, culturas e idéias do mundo inteiro para fazer o bem para as pessoas, transformando as organizações e a sociedade.”
A frase que parece um clichê socialista é a proposta da TIE, uma rede de global de planejadores dispostos a desenvolver soluções para ONG´s e projetos sociais ao redor do mundo.
A idéia é simples: usar os skills de comunicação para fazer o bem, resolvendo problemas de comunidades em vários lugares do mundo, mesmo com um budget pequeno. São treinamentos direto no campo de um mês, que envolvem missões, produção áudio-visual e geração de conteúdo em meio a um “choque de realidades”.
Um planejador de uma marca de sabonete, por exemplo, poderia exercitar uma solução em como reduzir o desperdício de água em uma árida cidade do sertão nordestino. Para quem está acostumado a fazer milagres com briefings corporativos, ser desafiado a responder a briefings sociais em outras culturas pode ser bem inspirador. No final da viagem, ao invés de trazer apenas um álbum de fotos, cada participante um deve trazer um case.
Os projetos são patrocinados por agências como a BBH, JWT e W&K, que incentivam a experiência de seus planners para desenvolver suas habilidades criativas e interpessoais em um contexto global. E mais do que isso, encoraja os planejadores a FAZER alguma coisa, de forma a mudar um comportamento:
O TIE é uma alternativa legal àquelas viagens que algumas pessoas fazem à África para prestar serviços sociais – é mais a cara de um publicitário do que de um médico.
E quem sabe um dia o “tour dos planners” não entra no portfólio da CVC, ou ao menos na C.I – Central do Intercâmbio?
—-
Estalos Relacionados:
Planejamento útil na cannes dos planners
Leão que serve para alguma coisa
que medo do futuro
escrito por Werner Iucksch em 05/03/2010 | 2 comentários
categorias: Cool, Design, Experience
(do repositorio do @ricaa)
o zoológico das marcas
escrito por Mastropietro Luiz em 11/01/2010 | 3 comentários
categorias: Atitude, Brand, Pensamento
Por trás do mundo das marcas existe um grande zoológico: leões, jacarés, pumas e até jaguar acabam fazendo parte de uma fauna publicitária que poucos se dão conta. Para se ter uma idéia, estima-se que ao redor do mundo existam mais de 300 marcas que trazem animais em seus logos.

E pensando bem, se cada marca ajudasse o animal que a representa, seriam mais de 300 espécies animais patrocinadas por suas respectivas marcas. Essa é a idéia do recém-criado movimento “Save Your Logo“ – um jeito interessante de embarcar uma causa em marcas que nem sempre tem causas bem claras.
Ou ainda, poderia ser uma catapulta para a criação de novas marcas com uma causa bem clara, desde a sua concepção:
“Vou criar uma marca de sabonete que tem logo de tartaruga e depois doar para o projeto TAMAR e usar isso como argumento ambiental de marketing”.
Uma espécie de marketing ambiental premeditado, guiando o desenvolvimento de uma marca. Seria a criação de uma nova leve de marcas para as quais todo dia seria dia de “McDia Feliz”.
CHMKT – Dicas para não deixar uma ideia morrer
escrito por Caio DelManto em 13/11/2009 | Sem comentários
categorias: Ad, Atitude
O Carlos Henrique Vilela, do blog CHMKT, está provocando uma discussão interessante sobre ‘como não deixar uma idéia morrer’. Eu não poderia estar fora dessa. Acompanhe lá a discussão. Segue abaixo a reprodução do post.
Agradecimentos especiais ao Carlos Henrique por incitar a discussão.
Dicas para não deixar uma ideia morrer.
Esse é um tema amplo, mas vou terntar escrever algumas premissas para ajudar. Não vejo diferença entre ser para cliente e para equipe interna. Valem pros dois.
1) Focar menos no conceito e mais nas possibilidades de fazer a ideia ficar de pé: planejadores são conhecidos por seus briefs maravilhosos e conceitos criativos, mas muito poucos têm conhecimento e experiência de colocar uma idéia de pé de verdade. Por isso, acho que planejadores devem colocar mais a mão na massa, gastar mais tempo pensando como fazer aquela ideia realmente acontecer, quais as barreiras de grana, possibilidades de mídias e oportunidades para fazer acontecer. Na real, é conhecer de verdade o rock’n'roll que atendimento, mídia e criação passam para implementar uma ideia de verdade e saber criar argumentos tangiveis na hora de apresentar uma ideia.
2) Trazer racional de canais para mostrar como a ideia pode crescer de acordo com o contexto em que ela for explorada: tem a ver com o primeiro ponto, mas essa é uma forma de vender uma ideia com maior embasamento do que simplesmente relacionado ao consumidor. E não falo apenas em trazer informações sobre efetividade de canais etc., que a mídia pode ajudar a construir, mas sim a relação de canais com a ideia que está vendendo. Por exemplo: se o conceito do brief é “o celular que traz um novo jeito de escrever histórias”, por que não ir buscar canais que possibilitam que as pessoas parem para realmente ‘escrever histórias’. Nesse sentido, poderíamos escolher dois canais que tem afinidade com o target: cafés (existem muitos aqui em sp) e lojas de roupa feminina (aqui lojas mais de classe A têm lounges com sofás em que as mulheres gostam de passar tempo). O mais importante aqui é o planejamento mostrar não só essa escolha, mas responder “Que tipo de histórias poderiam ser escritas a partir de um café?” Talvez histórias sobre livros (já que as pessoas vão muito a cafés para ler livros, jornais etc.) ou reviews pessoais sobre livros. Ou em lojas de roupa, “Que tipo de histórias as mulheres gostariam de compartilhar a partir de uma loja de roupas?”. Com isso tudo, o conceito “Um novo jeito de escrever histórias” passa a ficar grande e com uma perspectiva mais rica para o trabalho do planejador.
3) Ter espírito (realmente) colaborativo e saber desafiar as pessoas: acho que planners ainda ficam muito presos ao seus conceitos, a forma como se escreve no brief. Acho que muito mais importante do que a forma como se está escrito é saber deixar claro o Desafio de um job e a Estratégia para resolver esse desafio. Conseguir trazer todo mundo para ajudar a materializar essa estratégia é o trabalho real de um planejador. Planejadores tendem a querer mostrar criatividade dentro e fora da agência. A questão é que ainda acho que eles estão querendo mostrar o mesmo tipo de criatividade que a criação traz. Para mim, isso é errado. Não sabemos e não temos que saber fazer um belo slogan. Se tentarmos fazer isso, sempre vamos perder. Nosso job é ser criativo na solução de business, na estratégia de comunicação e na implementação dessa estratégia pensando em canais.
4) Aqui é mais uma provocação do que uma definição. Acho que planejadores têm que aprender a ser mais empreendedores. Acho que planejadores são muito low profile. Precisamos inovar mais na forma de apresentar, sair um pouco do ppt e criar mais referencias reais na hora de apresentar. Quando as pessoas olham pra planejadores, já pensam em ppts. Acho isso ruim. Elas devem olhar a gente e enxergar os caras que criam soluções para problemas.
a diferença entre fazer e falar (em números)
escrito por Werner Iucksch em 22/04/2009 | Sem comentários
categorias: Atitude, Brand, Experience, Inspiring, Pensamento, Web
A Fallon é uma agência com alguns dos melhores trabalhos criativos e estratégicos que existem. Sua filial britânica foi a agência do ano por lá em 2007; o blog da sede, em Minneapolis, é ótimo; e suas apresentações no slideshare possuem dezenas de milhares de view, ou seja, é uma agência que entende muito bem do negócio de comunicar através de palavras, idéias, filmes.
Por conta disso acho muito bom o case que eles mesmo fizeram sobre o que aconteceu quando lançaram um programinha de computador chamado Skimmer, há umas 3 semanas. Para mim isso ilustra a diferença entre falar e fazer e dá a magnitude dessa diferença.
O Skimmer funciona como uma espécie de “central social” de onde dá para atualizar status no facebook e twitter, subir fotos e videos no flickr e youtbe, bem como posts no blogger, além de ver os updates de todos os seus amigos em cada uma dessas plataformas. O programa, porém, resolve um problema concreto na vida das pessoas: muitas plataformas sociais em locais diferentes = perda de tempo. Passe pelo case e repare no impacto que isso teve na marca “Fallon Worldwide” e no site “We are Fallon”, reparando na diferença entre os número “pré-Skimmer” e “pós-Skimmer”:
É interessante que a Fallon não tem nenhuma fama como software maker, mas mesmo assim gerou muito mais engajamento do que com uma grande campanha de marca ou sobre gerenciamento de tempo. Por que?
Parte por conta do inusitado de uma agência entregar um software, mas acho que isso não explica. Para mim a razão é que ações comunicam mais do que palavras em uma escala que a gente (no mundo da propaganda) não consegue visualizar simplesmente porque estamos muito dentro deste mundo. Há vida fora da agência de propaganda e as pessoas acham que fazer a lancheira do filho é mais importante do que jingle, elas acham que a previsão do tempo infinitamente mais relevante do que logomarca, eles acham que um programinha que facilita a visualização de diversas plataformas dá muito mais moral para alguém do que um prêmio de agência do ano, um blog fodido e apresentações geniais JUNTOS.
E é por isso que eu acredito que a Zeus Jones e Anomaly são os modelos mais viáveis de agências de propaganda do futuro.
por uma madrugada nostálgica
escrito por Mastropietro Luiz em 16/04/2009 | Sem comentários
categorias: Cult, Mídia, Pensamento
Em uma madrugada qualquer, assistindo a TV Bandeirantes flagrei este filme do D.D Drin que me chamou a atenção:
Em meio a um mar de propagandas e conceitos genéricos, fiquei intrigado com a forma distinta e original do D.D Drin e então descobri que na verdade se trata de um legítimo cult de 1976 criado pelo Ely Barbosa antes mesmo dele ficar famoso.
Ao invés de dedicar recursos à criação e produção de um novo filme, a D.D Drin resolveu re-veicular um filme clássico especificamente na faixa horária da madrugada, o que faz sentido levando em conta que boa parte audiência que era jovem em 1976 provavelmente está acordada nas madrugadas de 2009 pensando nos problemas da vida. Um horário fértil para trazer de volta as boas lembranças de toda a psicodelia dos anos 70 à baixo custo.
À exemplo da D.D Drin, outras empresas também poderiam transformar a madrugada em seu “horário nostalgia”, veiculando os filmes de 20, 30 anos atrás. Certamente para muitos de nós o posicionamento e a linguagem do passado fazem mais sentido do que as coisas que são veiculadas atualmente no horário nobre.
Responda rápido: qual comercial do Guaraná invadiria a sua tela com mais simpatia e relevância: “É o que é” ou “Pipoca com guaraná”?
Estalo relacionado:
Nostalgia do bem
the hub, são paulo
escrito por Mastropietro Luiz em 23/03/2009 | Sem comentários
categorias: Atitude, Inspiring
Quem nunca sonhou em trabalhar em uma empresa como essa? Está logo ali, no centro de São Paulo.
Mais uma do Delicious da Paula Rizzo.
esquentando os tamborins
escrito por Mastropietro Luiz em 20/02/2009 | Sem comentários
categorias: Ad, Cult
Mais nostalgia do bem.
Desta vez a estrela é o clássico “Cremucho”, desejando um feliz carnaval a todos os leitores do Estalo.
Mutcho bom exemplo de como envolver os maiores influenciadores dos cafés da manhã. Quem não pediu para a mamãe comprar, que atire o primeiro comentário.
earth hour 3 – a eleição
escrito por Werner Iucksch em 09/02/2009 | Sem comentários
categorias: Ad, Atitude, Inspiring
Um dos cases mais fantásticos de todos os tempos chega a sua versão 2009, maior do que nunca, mais envolto em cultura popular do que nunca.
A “Earth Hour” consiste basicamente em convencer as pessoas de todo o mundo a desligar as luzes durante uma hora, começando às 20h30 do dia 28 de março de maneira a chamar atenção para o aquecimento global. Idéia simples, escalável, que chama a atenção e gera envolvimento. Veja o vídeo abaixo para ter uma idéia, caso não conheça o case:
Neste ano, porém, a Leo Burnett decidiu que não bastava apenas repetir o apelo “vamos nos unir contra o aquecimento global” para que as pessoas participem, resolveram colocar isso dentro de um contexto mais próximo, pegando carona com o grande assunto do final do ano passado e início deste ano, eleições americanas. Inclusive, os posteres da campanha foram desenhado pelo mesmo artista que fez as imagens mais famosas de Obama, Shepard Fairey:
Creio que o approach é certeiro. Centenas de milhões de pessoas acompanharam Obama vs McCainn, pensando “Ah se eu pudesse votar”. A campanha da Leo para WWF aproveita isso, dando vazão a esse sentimento: a possibilidade de agir em prol do planeta na votaçao “Terra” vs “Aquecimento Global”. Colocando a “eleição” no meio, eles atacam aquele velho problema do “sozinho não faço diferença nenhuma” e asso, criam uma noção de comunidade que incentiva a participação.
Como na eleição dos EUA, os meios eletrônicos também estão presentes e têm tudo a ver com política. Tem flickr, you tube, facebook, twitter, etc… e pelo menos no site americano do evento se encontra um canal para entrar em contato com congressistas e pedir mais ação governamental sobre esse assunto.
Mais de 350 cidades em mais de 70 países já estão se programando para o evento. A Torre Eiffel, a Golden Gate, a Sydney Opera House, o Cristo Rendentor vão apagar as luzes na hora do evento. Pense bem, numa dessas vale a pena sair da internet e ir para a calçada olhar a cidade mais calma, bater papo com os vizinhos e tal. Imagine-se em uma situação como essa e aproveite.
Estalos relacionados:
Como ganhar um prêmio Nobel
Titanium e Integrated Lions
informação inspiradora
escrito por Werner Iucksch em 05/02/2009 | Sem comentários
categorias: Arte, Cool
Uma dos grandes benefícios da net é o poder de compartilhar e ter acesso ao trabalho e idéias de outras pessoas. Além do conteúdo, muitas vezes a maneira como o mesmo é apresentado já me faz prestar atenção. Maneiras novas e velhas de visualizar informação estão disponíveis para todos, então resolvi colocar uma ou outra coisa que tem por aí para inspirar o dia de quem tá lendo o post:
Como contar sua viagem ao Japão:
Como mostrar os hábitos de consumo de telecomunicação:
Como mostrar som:
Para quem se interessa, dá para começar visitando o Pool de Data visualization do Flickr, Visual Complexity e Information Aesthetics. E continuem lendo o post para dar uma olhada em mais exemplos sensacionais.
a nostalgia do bem
escrito por Mastropietro Luiz em 23/01/2009 | Sem comentários
categorias: Ad, Cult, Pensamento
Há cerca de dois anos resgatei uma VHS em minha gavetas cheia de programas dos anos 80. Escavando o material, encontrei este comercial da Lacta, para o chocolate Laka. Digitalizei e coloquei no YouTube:
Dois anos e 100 mil views depois, o velho clássico continua à toda. O rating está em 5/5 e têm mais de 100 comentários calorosos. Tem gente que fica arrepiada, “chega a arrepiar”, outros ficam mais românticos, “Que pureza de comercial! Bons tempos!!!!!!!!!” e outros mais exaltados, “Eu fiz essa do Laka na epoca…. :D bons tempos aqueles… SAUDADES DO CARALHO!!!.
Mais do que os comentários positivos, o mais interessante é imaginar como as empresas lidam com as suas próprias memórias e histórias.
Não duvido que hoje, neste exato momento, o pessoal do marketing da Lacta esteja desenhando “Brand Keys” e pensando em estratégias “360″ para “falar com os jovens” e criar uma nova onda na “cultura pop”.
Só que eles já têm tudo isso, adormecido em suas fitas Beta que descansam no acervo histórico do RTV. Muitas marcas já têm tudo isso guardado carinhosamente nas mentes nostálgicas de milhares de brasileiros.
Dizem que marcas precisam ter um apelo emocional. Por quê não trazer todo esse sentimento que faz parte da história de vidas das pessoas de volta? Quer mais emoção do que tocar no passado individual de cada um?
Está tudo pronto, é só veicular. Com pré-teste (ou pós-teste?) aprovados pela crítica popular.
Um brinde ao passado. E dá-lhe Pipoca com Guaraná.
a propaganda contra a propaganda
escrito por Mastropietro Luiz em 10/10/2008 | Sem comentários
categorias: Ad, Atitude, Pensamento
Durante muitos anos a propaganda interrompeu o conteúdo que as pessoas estavam consumindo.
As pessoas estavam afim de assistir de TV, mas tinham que pagar o preço de assistir o comercial. Elas queriam ler as matérias das revistas, mas tinham que ver os anúncios em meio ao conteúdo. As pessoas queriam ouvir músicas no rádio, mas tinham que ouvir o jingle da “Mark Color etiquetas adesivas”.
Porém, ultimamente a propaganda parece ter acordado para uma nova realidade.
Se antes os anunciantes compravam “espaços publicitários” dentro daqueles programas de maior audiência, agora algumas marcas estão trabalhando para criar programas proprietários e abolir os intervalos comerciais daqueles programas que as pessoas gostam.

Talvez um dos casos mais emblemáticos deste movimento seja a iniciativa de Doritos “Only The Good Stuff”, um aplicativo que transforma todos os banners e propagandas que aparecem em sua navegação em conteúdos do seu interesse. Ao invés de ver o banner das Casas Bahia, você apenas verá um conteúdo do seu interesse, baseado em suas informações disponíveis no Facebook, Flickr, e outros sites dão algumas pistas sobre o tipo de coisa que você gosta. Veja só o resumo da idéia em 150 segundos:
Na semana passada, a Unilever divulgou a sua última “campanha” para o produto Vaseline, nos EUA: abolir os intervalos comerciais dos 13 episódeos da série “Friday Night Lights.”. Isso mesmo, ao invés de vender o shampoo nos intervalos comerciais, a Unilever resolveu dar um presente um pouco mais relevante para as pessoas, retirando os “reclames” e inserindo o produto em meio ao enredo do seriado.
Na mesma linha, a operadora inglesa BskyB também resolveu transmitir alguns filmes sem propaganda, e para divulgar a iniciativa usou como cenário a cidade de São Paulo no período pós Lei Cidade Limpa para passar a idéia de que “Porque você gosta de filmes sem interrupções, nós tiramos as propagandas.”
A própria Lei Cidade Limpa é um case desse novo movimento. Mas ao invés de uma marca abolindo a propaganda, foi o próprio governo da cidade. O resultado não poderia ser melhor: 62% dos paulistanos aprovaram, e este talvez seja o maior trunfo de Kassab para vencer as eleições municipais de São Paulo em 2008.
Aqui no Brasil essa onda também já começou. Até pouco tempo atrás, se quiséssemos ouvir músicas no radio teríamos que “pagar o preço” de ouvir 3 minutos de propagandas e jingles para cada 10 minutos de música. Mas a operadora de telefonia celular Oi, por exemplo, deixou de comprar espaços publicitários em outras rádios para criar a sua própria rádio, a OiFM. Uma rádio com pouquíssima propaganda, sem encheção de saco. Só com músicas, e das boas.
Todo esse movimento nos leva a crer que as marcas começaram a entender a necessidade de criar uma compensação pelo monstro que elas mesmos criaram. Durante muito tempo, interromperam e invadiram a vida dos outros, e agora começaram criar mecanismos para compensar esse fato, uma espécie de iniciativa de “responsabilidade cultural”.
Em uma analogia com a onda da sustentabilidade e da responsabilidade ambiental, é o mesmo tipo de compensação: as empresas agridem o meio ambiente e criam programas para compensar esses danos.
Os mais radicais diriam que tudo isso é a propaganda cuspindo no prato em que comeu.
De qualquer maneira, é inevitável: é a propaganda contra a propaganda.
converse century
escrito por Werner Iucksch em 21/09/2008 | Sem comentários
categorias: Arte, Cool, Design, Inspiring
Ontem eu estava assistindo um canal de música desses qualquer, quando lá pelas 2 da matina passou o clipe abaixo. Achei o formato muito louco. Recortes animados, cenários minimalistas e ritmo pegajoso, uma cooperação entre Julian Casablancas, Santogold, NERD e Pharrell Williams. Pensei em coloca-lo como referência aqui no Estalo.
Minha surpresa foi quando achei o clipe no YouTube e li que ele, na verdade, é parte da campanha Converse Century (também conhecida como “Conectivity”), que celebra os 100 anos da marca. Esse clip na verdade foi idealizado pela Anomaly em parceria com a Cornerstone Promotion e quer transmitir a mensagem que todos estão conectados de alguma forma (como os bonecos de papel do vídeo).

Evidentemente fui atrás para ver o que mais eles estão fazendo neste ano tão especial para a marca e achei legal a diversidade de ações, não só nos EUA.
Aliás, a campanha roda em 75 países, então tem muita coisa. +Leia o texto na íntegra
descomoditizando a hp
escrito por Werner Iucksch em 06/09/2008 | Sem comentários
categorias: Atitude, Brand, Design
A categoria de computadores pessoais, embora tenha tudo para ser diferente, provavelente é uma das mais comoditizadas que há entre os bens de consumo duráveis. Muitas coisas sobre processadores, bytes, RAM e poucas sobre coisas que alguém realmente entende ou se interessa.
A Apple talvez seja a única que tem algum apelo para quem vai além de specs e preço. Recentemente, porém, tenho visto umas coisas interessantes da HP mundo afora. Parece que eles realmente estão empenhados em mostrar que não são “fazedores de computador”. Pelo que vejo, estão tentando trabalhar com as pessoas e com outras marcas para virar sinônimo de criatividade top e quem sabe tornar-se a “Apple dos PCs”.
Para isso, evidentemente não apostam apenas em propaganda. A “comunicação” da HP atualmente está bem diversificada.
Um exemplo recente é a parceria com a MTV global para fazer o “Engine Room“, que estréia dia 15. A idéia é simples: 4 times de designers que competem para ver quem melhor responde a briefs dados pelo programa, utilizando equipamento da HP. Tem time da Asia/Pacífico, Europa, América do Norte e América Latina. Inclusive tem um designer brasileiro no meio, que aparentemente trabalha nos EUA.
Além de ser interessante ver um programa sobre criatividade no ar com a marca deles, ainda tem um “plus a mais”. Qualquer um pode fazer o upload de seu portfólio e toda semana o conjunto mais bem avaliado leva um prêmio, como um laptop ou coisa parecida.
Falando em upload de conteúdo e laptops, lembrei de outra ação deles, a “Take Action.Make Art.“, do ano passado, na qual pediram para usuários fazer skins para seus laptops. O vencedor (abaixo) teve seu trabalho cristalizado em uma série limitada de laptops.

E o resto dos skins, foi jogado fora? Não. A HP criou uma ferramenta muito legal chamado SkinIt, através da qual é possível fazer skins para praticamente qualquer produto deles (câmeras fotograficas, laptops, PDAs, etc) e muita coisa de outras empresas (iPhone, por exemplo), utilizando designs do “Take Action…”, com suas próprias imagens, cliparte do site ou até mesmo buscar algo no Flickr e afins. Eles imprimem em adesivos de alta qualidade e te mandam.
Esses três exemplos já são muito bons, mas eles também estão conseguindo inovar nos computadores. Recentemente lançaram o HP TouchSmart, que tem tela sensível ao toque. Tem gente que acha que é um iPhone grande, mas ao menos eu achei interessante. A tela talvez fique um grude, mas a brincadeira deve ser legal.
Aqui e aqui você encontra outros dois filmes de lançamento.
Somando tudo isso à parceria com a News Corp. para viabilizar o filme da Bruxa de PortoBello, como mostramos esses dias, acho que dá para falar sem medo: a HP está em um bom caminho para sair do atoleiro da comoditização.
Daqui uns tempos quem sabe não estaremos falando da HP juntamente com cases de Honda, Nike e Innocent?
sustentabilidade ao pé da letra
escrito por Mastropietro Luiz em 02/09/2008 | Sem comentários
categorias: Ad, Atitude, Pensamento
Todo mundo tá cansado de saber que a sustentabilidade é o discurso do momento.
Mas é interessante observar como o tema está saindo do discurso e ganhando cada vez mais a prática em um lugar em que poucos imaginariam: na própria propaganda.
Em um fenômeno recente, algumas marcas estão passando a usar o próprio material usado em sua comunicação para demonstrar o seu lado sustentável. Uma iniciativa interessante – ainda que simbólica – para “fazer” algo mais pela onda da sustentabilidade.
Na semana passada o Senise postou por aqui a iniciativa da Heineken em Porto Rico, que está transformando o material usado em seus outdoors em acessórios de moda.
Há algum tempo atrás, Honda produziu uma mala direta com um papel especial que continha sementes. As pessoas poderiam ler a carta, amassar e depois plantar uma árvore com o próprio material da propaganda. Nesse caso, a mala direta tem alguma utilidade além daquela que o Yasuda já tinha falado por aqui.

Aqui no Brasil a MTV está veiculando uma campanha de mídia impressa para o Dossie Universo Jovem que é feita com um papel comestível. Como o tema desta pesquisa era sustentabilidade, o anúncio tinha um cunho “auto-sustentável” e era feito com papel holandês de féculas de batatas. O gosto é ruim, mas a idéia é boa.

Ainda no Brasil, a Rainha está lançando o “Rainha Autêntico Eco Consciente”, o novo tênis da marca produzido com materiais que não agridem o meio ambiente. Para lançar o produto foi criada uma campanha para mídia impressa que já traz em seu formato o conceito de sustentabilidade: um anúncio sem tinta.

Apesar de ainda serem simbólicas, todas estas ações fazem parte de um início benéfico de um sinal dos tempos. Afinal, alguém já imaginou quantas árvores uma campanha de mídia impressa das Casas Bahia é capaz de destruir?
Ou melhor: se todas as malas diretas bancárias fossem veiculadas com um papel comestível, talvez fosse possível reduzir um pouco a fome no Brasil.
E se essa moda pega? Fico imaginando as conversas parelalas que surgiriam em 2020, quando a moda pegar de vez:
“Garçom! Uma Coca Zero e uma Veja com raspas de Quatro Rodas ralada.”
“Descola um teco desse gibi aê mano…”
Capa da Playboy em 2020 – “Você pode comer a vencedora do BBB 32.”
É a mídia com uma utilidade a mais. Sustentabilidade ao pé da letra.


