por uma madrugada nostálgica

escrito por Mastropietro Luiz em 16/04/2009 | Sem comentários
categorias: Cult, Mí­dia, Pensamento

Em uma madrugada qualquer, assistindo a TV Bandeirantes flagrei este filme do D.D Drin que me chamou a atenção:

Em meio a um mar de propagandas e conceitos genéricos, fiquei intrigado com a forma distinta e original do D.D Drin e então descobri que na verdade se trata de um legítimo cult de 1976 criado pelo Ely Barbosa antes mesmo dele ficar famoso.

Ao invés de dedicar recursos à criação e produção de um novo filme, a D.D Drin resolveu re-veicular um filme clássico especificamente na faixa horária da madrugada, o que faz sentido levando em conta que boa parte audiência que era jovem em 1976 provavelmente está acordada nas madrugadas de 2009 pensando nos problemas da vida. Um horário fértil para trazer de volta as boas lembranças de toda a psicodelia dos anos 70 à baixo custo.

À exemplo da D.D Drin, outras empresas também poderiam transformar a madrugada em seu “horário nostalgia”, veiculando os filmes de 20, 30 anos atrás. Certamente para muitos de nós o posicionamento e a linguagem do passado fazem mais sentido do que as coisas que são veiculadas atualmente no horário nobre.

Responda rápido: qual comercial do Guaraná invadiria a sua tela com mais simpatia e relevância: “É o que é” ou “Pipoca com guaraná”?

Estalo relacionado:
Nostalgia do bem

 

 

 

esquentando os tamborins

escrito por Mastropietro Luiz em 20/02/2009 | Sem comentários
categorias: Ad, Cult

Mais nostalgia do bem.

Desta vez a estrela é o clássico “Cremucho”, desejando um feliz carnaval a todos os leitores do Estalo.

Mutcho bom exemplo de como envolver os maiores influenciadores dos cafés da manhã. Quem não pediu para a mamãe comprar, que atire o primeiro comentário.

 

 

 

a nostalgia do bem

escrito por Mastropietro Luiz em 23/01/2009 | Sem comentários
categorias: Ad, Cult, Pensamento

Há cerca de dois anos resgatei uma VHS em minha gavetas cheia de programas dos anos 80. Escavando o material, encontrei este comercial da Lacta, para o chocolate Laka. Digitalizei e coloquei no YouTube:

Dois anos e 100 mil views depois, o velho clássico continua à toda. O rating está em 5/5 e têm mais de 100 comentários calorosos. Tem gente que fica arrepiada, “chega a arrepiar”, outros ficam mais românticos, “Que pureza de comercial! Bons tempos!!!!!!!!!” e outros mais exaltados, “Eu fiz essa do Laka na epoca…. :D bons tempos aqueles… SAUDADES DO CARALHO!!!.

Mais do que os comentários positivos, o mais interessante é imaginar como as empresas lidam com as suas próprias memórias e histórias.

Não duvido que hoje, neste exato momento, o pessoal do marketing da Lacta esteja desenhando “Brand Keys” e pensando em estratégias “360″ para “falar com os jovens” e criar uma nova onda na “cultura pop”.

Só que eles já têm tudo isso, adormecido em suas fitas Beta que descansam no acervo histórico do RTV. Muitas marcas já têm tudo isso guardado carinhosamente nas mentes nostálgicas de milhares de brasileiros.

Dizem que marcas precisam ter um apelo emocional. Por quê não trazer todo esse sentimento que faz parte da história de vidas das pessoas de volta? Quer mais emoção do que tocar no passado individual de cada um?

Está tudo pronto, é só veicular. Com pré-teste (ou pós-teste?) aprovados pela crítica popular.

Um brinde ao passado. E dá-lhe Pipoca com Guaraná.

 

 

 

um groove clássico na propaganda

escrito por Mastropietro Luiz em 23/08/2008 | 3 comentários
categorias: Ad, Cult, Pensamento

Nesta semana fiquei sabendo que a C&A lançou um novo comercial com a música “Freedom”, de George Michael como trilha sonora. Foi o estopim para um possível fenômeno na propaganda brasileira: o uso de clássicos dos anos 80 como trilha sonora de comerciais.

Só no último ano foram registrados na TV quatro casos de usos clássicos na propaganda:

A C&A com o hit “Freedom”, de George Michael:

A operadora Claro, com o fenômeno pop “This is kind magic” do Queen:

Denovo a Claro com o cult “Dancing with myself”, Billy Idol:

E até a Renault, com o classic rock “Highway Star” do Deep Purple:

O que todas essas propagandas tem em comum além de serem clássicos dos anos 80? Boas estatísticas no YouTube, um indicador que pode ser considerado como um termômetro da cultura. Afinal, se os números são bons só há um motivo: é porque as pessoas gostam.

Qualquer um destes anúncios tem muito mais views no YouTube do que as propagandas convencionais de lojas de roupa, operadoras de celular e montadoras de automóveis. Cultura pop vende. E acho que um clássico da música pode fazer mais diferença do que o uso de uma celebridade. Ou não?

Será que um dos fatores para isso acontecer se dá ao fato de que hoje, em 2008, os diretores de criação tem entre 30 e 40 anos – pessoas que tiveram sua juventude nos anos 80 e querem reviver estas músicas?

Ou seria apenas uma influência transcontinetal daquele Gorilla cantando Phil Collins?

 

 

 

estalando daqui uns dias

escrito por Werner Iucksch em 31/01/2008 | Sem comentários
categorias: Arte, Cult

Como o Estalo também é cultura, nada melhor do que dar a dica:

Bob

Bob Dylan no Via Funchal, em SP, dias 5 e 6 de Março e no Rio Arena, no RJ, dia 8. Ainda não estão vendendo ingresso, mas quem for deve me encontrar lá. E se algum dia vc se interessou por música, tem a obrigação de pelo menos ver um pouquinho do último show dele (com os Stones) no Brasil, em 1998, aí abaixo:

Dá-lhe.

 

 

 

referência à francesa

escrito por Werner Iucksch em 27/09/2007 | Sem comentários
categorias: Arte, Cool, Cult

A comunicação vive de grandes idéias, mas também vive de boas referências. Grafite, stop motion, light art, rococós, bullet time são todos exemplos de coisas que apareceram fora da propaganda e foram absorvidos rapidinho. Surfando por aí achei um novo candidato a referência, de dança e moda, saído direto dos guetos de Paris: o Tecktocnik

Dêem uma olhada:


Como dá para reparar, o movimento dos braços é o que chama mais atenção, se bobear dá para dançar sentado, mas além disso também existe todo um “dress code”, com roupas coladas, corte de cabelo rebelde e, em outros vídeos, cores fortes, berrantes (um neo-punk da modinha?)

Isso tem potencial? Tem sim. Dê um search no youtube e veja quantos videos e views você vai encontrar. O tecktonik foi a sensação da parada techno de Paris, no meio do mês, e tá invadindo desfiles de moda:


Quanto tempo até pintar por aqui?

(com help do Pop Load)

 

 

 

TV Pirata & a era politicamente correta.

escrito por Mastropietro Luiz em 16/08/2007 | Sem comentários
categorias: Atitude, Cult, Pensamento

Sátiras com negros, homofobia doentia, dar porrada em mulher, “chulapar a mocréia”. Parecem cenas da TV nazista de Hitler, mas na verdade era uma famosa comédia exibida pela rede Globo nos anos 80: a TV Pirata.

Quem poderia imaginar que a rede Globo tiraria um sarro da cara da Gillette em pleno horário nobre? Não havia pudor, restrições, e muito menos a palavra “politicamente correto”.

Para ilustrar essa fase da TV brasileira, fizemos uma pequena edição com alguns trechos que retratam essa comédia politicamente incorreta dos anos 80. Mas antes de dar o play, lembre-se de comparar o que você vai ver agora com aquilo que você costuma ver na televisão em uma terça feira à noite.

Como dá pra ver, muita coisa mudou de lá pra cá. Algumas para melhor, outras para pior. O lado bom é que hoje em dia as minorias conquistaram o seu espaço e o seu respeito, e raramente tem que aturar esse tipo de coisa na TV. Se há 20 anos atrás eles eram pauta de comédia, hoje em dia isso não tem a menor graça e certamente seria pauta de processo judicial. Os gays tem os seus programas especiais para gays, os negros as suas revistas, e as mulheres conseguiram conquistar tudo aquilo que elas reinvicaram, e mais um pouco.

20 anos atrás deveria ser mais fácil fazer comédia. Imagine o sofrimento dos comediantes contemporaneos, que tem a missão de fazer as pessoas rirem e ao mesmo tempo obedecer todas as normas que a TV politicamente correta os impõe. As pessoas estão mais intolerantes com alguns assuntos na mídia, o que limita e censura o tipo de conteúdo que poderia ser produzido. O resultado é que desta forma, quem vê TV acaba ficando com a impressão que não existe mais preconceito, nem pessoas tirando sarro de marcas, homens batendo em mulheres, etc. Mas por trás dos bastidores…

 

 

 

Euforia Vintage

escrito por Caio DelManto em 27/07/2007 | Sem comentários
categorias: Atitude, Brand, Cool, Cult

Outro dia, estava numa reunião em um cliente assistindo a uma apresentação de tendências. Ao meu lado, estava um designer de produto que mais parecia um publicitário pelo seu estilo de se vestir etc. (Primeira pergunta: Quem copiou o estilo de quem? Enfim… isso não vem ao caso).

Chegou um momento da apresentação em que apresentaram uma tendência: o ‘Vintage’. Ok, nada de novo! Eu não sabia, mas a expressão ‘vintage’ surgiu entre o pessoal que trabalha com vinho . Basicamente, ‘vint – age’ significa a ‘idade do vinho’ ou o ‘processo de deixá-lo envelhecer. Bom, ‘Wikipédias’ a parte, a questão é que o ‘Vintage’ é u movimento que está em todo lugar: na moda, no esporte, no cinema, no tone & feel de algumas campanhas e posicionamentos de marca.

Pesquisando mais sobre o assunto, o que me assustou foi a quantidade de marcas que estão se apoiando no ‘vintage’ como uma âncora para se mostrarem inovadoras. Esse meu colega de reunião fez um comentário interessante. Ele falou mais ou menos o seguinte “Cara, parece que querer se mostrar ‘cool’ voltando ao passado, principalmente copiando produtos estilo anos 70, mostra uma falta de idéias da indústria. Por que não inventar estilos novos ao invés de copiar coisas que já passaram”. Polêmico ou não, fiquei com isso na cabeça. De um lado, me parece legal voltar ao passado, recriar estilos que já foram sucesso, fazer remakes de filmes dando um outro olhar para um mesmo roteiro. Isso é inegavelmente ‘cool’. Mas de outro lado, me parece que a gente e a indústria de uma forma geral está perdendo um pouco a identidade.

Se olharmos para as décadas passadas, cada uma tem sua característica marcante: os vestidos de bolinha dos anos 50, o hippie dos 70 e até o estilo bizarro dos 80 tem seu valor. A partir dos anos 90 parece que essa identidade foi se perdendo. Qual a característica marcante na moda, comportamento ou música dos anos 90. Não consigo dizer uma coisa forte… sei lá, a música eletrônica pode ser? E dos anos 2000? Menos ainda. Não sou nenhum expert nestes assuntos mas não me vem nada que marque fortemente. Sendo legal ou não, a questão é que muitas marcas estão levando isso ao pé da letra. A Nike, por exemplo, criou a linha Vintage Running, copiando seus produtos dos anos 70 e usando este argumento para criar todo um mood da época dos bigodes bizarros e calças boca de sino. Dê uma olhada no site www.nike.com/nikevintage

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Outra marca que usa este mood já há algum tempo é Altoids.

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Não que estes não sejam movimentos interessantes, mas será que não estamos mostrando falta de criatividade? O quanto os consumidores diferenciam ou enxergam valores únicos entre um Nike Vintage, um Adidas Originals ou um Puma? Será que vamos reeditar os anos 2000 daqui 30 anos? Quem viveu verá!

 

 

 

Borat

escrito por Felipe Senise em 13/01/2007 | Sem comentários
categorias: Cine, Cult

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Ontem fui com a minha namorada e meus cunhados pela primeira vez ao já famoso Noitão do HSBC Belas Artes. Pra quem ainda não o conhece, trata-se de um evento muito bacana que consiste em passar 3 filmes “cult” ao longo da madrugada. Além do inusitado de virar a madrugada no cinema, o evento chama atenção pelo público super animado, pelos sorteios nos intervalos e pelo café da manhã na saída. Como amante de cinema, claro que sempre tive muita vontade de participar do Noitão, mas vou ser honesto e confessar que o que me levou até lá não foi o evento, mas sim a vontade de ver a sensação do momento nos EUA: Borat.

Outra confissão que eu devo fazer é que descobri esse filme muito por acaso. Estava zapeando a TV descompromissadamente quando parei para assistir ao excelente David Latterman. Nesse exato momento, ele estava anunciando um de seus convidados, o humorista judeu e britânico Sacha Baron Cohen, que estava estreando um filme chamado Borat: O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América . De repente, entra um cara de terno, muito alto e com um bigode igualmente grande. Em agradecimento as palmas da platéia, ele começou a dançar, beijar o apresentador, fazer a a maior confusão para sentar, além de zoar com o líder da banda do programa, Paul Shaffer. Acho que melhor do que meu relato é vocês assistirem a uma parte da entrevista.

Assim que acabou a entrevista, fui pesquisar mais sobre esse filme e a cada matéria eu ficava com mais vontade ainda de assistir. Tava na cara que ia ser muita risada garantida. E, cá pra nós, está cada vez mais difícil fazer isso no cinema.

Essa impressão que eu tive acabou mais do que se confirmando do decorrer do filme. Sem exageros, de todas as comédias a que eu assisti, Borat foi a que eu ri com mais constância. A idéia de Sacha Baron Cohen foi criar um repórter e fazer um falso documentário, a fim de conhecer mais a cultura norte americana e levar valiosas lições ao seu “glorioso país”, o Cazaquistão, que perecia de problemas sociais, econômicos e… judáicos, segundo o próprio Borat.

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Uma das coisas que eu achei mais legal do filme é como ele consegue, por meio de um humor ácido e satírico que extrapola em muito as barreiras do politicamente correto e socialmente aceito, expor vários tipos da sociedade norte-americana, tais como o racista, o conservador, o belicista entre outros. Todos esses tipo acabaram sendo um prato cheio para Borat poder fazer suas piadas e causar muito constrangimento a quem ele entrevistasse. É muito engraçado também perceber as reações reais das pessoas frente às loucuras de Borat. Elas ficavam espantadas, enojadas, temerosas e algumas até agressivas frente a seu humor multifacetado que vai desde o satírico-irônico até o escatológico e pastelão, passando sempre pelo escrachado e caricata. Enfim, é uma farra.

Eu acho que esse filme é imperdível, seja pela idéia, pelo ator ou pela risada, que como eu disse anteriormente, é 100% garantida. Mas para quem depois de tudo isso ainda não acredita em mim, tem a chance de ver com seus próprios olhos o trailler do filme que deve estrear em fevereiro aqui no Brasil.

Pra finalizar, queria listar alguns resultados práticos que as confusões do Borat trouxeram.

1) Ódio do povo e do governo do Cazaquistão, que achou um desrespeito o que ele fez com o país;

2) Ódio dos ciganos romenos, que são retratados como estupradores e assaltantes;

3) Ódio de anônimos que participaram do filme e se sentiram lesados moralmente;

4) Ódio de um anônimo em especial, que foi vítima de uma piada de Borat e revidou com um soco em seu nariz;

5) Ódio de Kid Rock, marido de Pamela Andresson, que teria ficado louco da vida com a participação dela no longa no papel de paixão platônica do repórter assim que chegou à América. Rolou até pedido de divórcio.

E aí, vale ou não vale o ingresso?

 

 

 

Mais um Olé de Almodóvar!

escrito por Felipe Senise em 12/12/2006 | Sem comentários
categorias: Cine, Cult

Volver é o mais recente filme de Pedro Almodóvar, um dos meus diretores de cinema favoritos (senão o favorito). Só que não foi apenas mais um filme que passa como todos os outros. Volver é uma grande obra que não fica devendo em nada para os grandes clássicos do espanhol como “Tudo Sobre Minha Mãe”, “Mulheres a Beira de um Ataque de Nervos” e “Ata-me”.

Aliás, o diretor espanhol é um dos raros casos de cineatas que não declinam com o tempo como é o caso de Oliver Stone e do próprio Martin Scorsese, que ensaiou uma sobrevida com “Os Infiltrados”, mas que acabou ficando bem longe de alguns de seus clássicos (“Bons Companheiros”, “Taxi Driver” e “Casino”). Almodóvar consegue praticamente uma façanha por ter filmes muito bons sempre.

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O filme é bom em tudo, mas se sobressai principalmente em dois aspectos: o roteiro e as atuações, o que aliás não é novidade vindo de quem vem. O roteiro sempre surpreende muito com situações inusitadas, mas altamente reais e contadas de forma poética e não sensacionalista; e os atores nas mãos de Almodóvar dão um show a parte na telona.

Em Volver, Penélope Cruz está muito bem no papel da protagonista Raimunda, que vive uma situação muito complexa entre sua filha, seu marido, sua mãe, sua irmã e sua tia com desdobramentos inesperados típicos da filmografia do espanhol. Destaque especial para a linda cena em que Raimunda chora calada no momento em que é tratada como objeto sexual por seu embriagado marido Paco.

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Talvez a única coisa que eu tenha sentido um pouco de falta por se tratar de Almodóvar foi uma presença mais marcante da Loucura, personagem da maioria de seus filmes e de todos os seus clássicos. A loucura retredada pelo espanhol é riquíssima, já que na maioria das vezes além de sem limites ela é obsessiva e frequentemente onírica, buscando a todo custo a materialização de desejos surreais, que por incrível que pareça surgem de momentos epifânicos e não de contextos complexos.

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De qualquer forma, o filme é incrível no tratamento equilibrado que dá a tragédia e a comédia, que prende a atenção do espectador ora pela reflexão, ora pelo suspense, ora pelo drama e ora pelo puro entretenimento. Um filme que mais do que completo em suas questões técnicas aborda a vida de uma forma muito real, sem apelar para clichês, dramatizações forçadas e conteúdo sensacionalista.

Ao melhor estilo espanhol, um Olé de Pedro Almodóvar!

     

    

 

 

 

Mr. Pavlov

escrito por Felipe Senise em 18/10/2006 | Sem comentários
categorias: Cult

Guardem esse nome. Não porque ele seja algum novo grande publicitário que está revolucionando a comunicação na Europa Oriental ou porque seja o mais novo Tolstói. Essas coisas com certeza valeriam um post aqui, mas não é o caso.

Ivan Petrovich Pavlov, um dos grandes nomes do Behaviorismo, é um cara dos séculos XIX e comecinho do XX, mas que influencia fortemente a publicidade até hoje. A sua mais importante sacada foi a descoberta do que ele chamou de condicionamento clássico, ou seja, um processo que explica a construção e alteração de alguns comportamentos com base na dupla estímulo-resposta. Sua experiência clássica foi aquela em que dava carne para um cão (estímulo incondicionado) e ele salivava (resposta). Numa segunda fase, ele associou a carne a um som qualquer (estímulo condicionado) e depois susbstituiu a carne somente pelos sons. Resultado: o cão salivou da mesma forma.

Se formos parar para pensar um pouco no que isso tem a ver com publicidade, passaremos a enxergar algumas mensagens de outra maneira. Talvez comecemos a ver que essas mensagens são o estímulo condicionado (o som para o cão), que substitui algum estímulo que nos é natural (salivar diante da carne). Mais ainda, as vezes a publicidade cria o estímulo inicial (carne) para depois substituir por outro (som), o que confere uma força enorme à mensagem.

Bom, sem exemplo isso vai ficar completamente incompreensível. Vamos lá.

Começando do mais explícito para o mais sutíl, podemos começar com o já famoso “Experimenta” de Nova Schin. Esse primeiro filme é ó início da construção do estímulo nos consumidores, que traçou o caminho natural do condicionamento: focou muito na repetição de uma mensagem simples e imperativa.

Depois de entuxar GRP nessa mensagem, a segunda fase foi apenas dar estímulos não-verbais (sonoros, no caso) na mesma toada da mensagem inicial. Com isso, o “experimenta” ganha muito mais força, pois a resposta do consumidor é exatamente a mesma. Tudo converge para o “ex-pe-ri-men-ta” sem nem precisar verbalizar.

Outro caso menos explícito de condicionamento é uma filme fantástico que o Itau desenvolveu. Nele, o locutor fala sobre um banco qualquer, no entanto, todas as imagens que rodam no vídeo tem ligação com a cor laranja, que é um estímulo visual natural criado em nós desde sempre pela comunicação do Itau. No final, sem mostrar o logo ou falar o nome Itau, o locutor coloca a cereja no sundae e manda: “não precisa nem dizer, você sabe muito bem qual o banco feito pra você”. Tesão!

O último caso que queria mostrar é o de Caixa. Todo mundo manja aquela vinhetinha “vem pra Caixa você também…vêm”! Pois é, ela é um dos exemplos clássics de estímulo, já que depois de martelar muito com ela, eles usaram a estratégia de cortar a parte final da vinheta e ficou só “vem pra Caixa você também…”. E o “vem” fica intalado na garganta, querendo loucamente sair. Quer maior condicionamento por estímulo do que isso acontecer contigo? Veja essa seqüência e tire a prova.

Acho que já deu pra sacar legal com esses exemplos como é real esse papo de estímulo, condicionamento, Behaviorismo etc. Isso não é a coisa mais nova do mundo, nem vai ser a mais nova pegada da publicidade mundial, no entanto, é muito interessante conhecermos todas as possibilidades de se trabalhar com uma mensagem. Dependendo de x ou y objetivo que uma campanha tenha, isso pode cair como uma luva.

 

 

 

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