a bibliografia do Brasil no google
escrito por Mastropietro Luiz em 01/07/2010 | 1 comentário
categorias: Mídia, Pesquisa
Nos arquivos históricos sobre tudo o que o Google lê sobre o Brasil, existem apenas quatro grandes eventos que fogem da curva: tudo começa com o descobrimento em 1500. Depois vêm a Independência, em 1822 e a abolição dos escravos em 1888. O último pico vêm com a Copa do Mundo de 2002 e o Pentacampeonato do Brasil.

São fatos históricos que surgiram muito antes da era da conversação massiva digital. Em tempos em que um narrador brasileiro vira notícia global da noite para o dia, dá a impressão de que a Copa de 2010 ou 2014 tenham mais potencial de serem falados do que a própria descoberta do país.
Ao mesmo tempo, esses eventos raramente serão tão marcantes e perenes como os fatos do milênio passado. Nesse novo cenário, tudo é mais falado, discutido e remixado, tudo fica gigante mais rápido, mas ao mesmo tempo some com mais rapidez. Tudo pode virar um hit em 15 minutos, mas geralmente cai no esquecimento 15 dias depois.
Em tempos voláteis de assuntos fugazes, como manter uma conversa mais consistente sobre seja lá o que for?
a intersecção da TV com o google
escrito por Mastropietro Luiz em 09/06/2009 | Sem comentários
categorias: Mídia, Pensamento, Pesquisa
O que você faz enquanto assiste televisão?
Uma pesquisa da Deloitte revelou que cerca de 63% dos brasileiros costumam desenvolver outras atividades enquanto estão em frente da TV. Desses, 44% navegam na internet ao mesmo tempo em que passivamente assistem televisão.
E se boa parte da audiência da TV está navegando na internet ao mesmo tempo, fica cada vez mais evidente a necessidade de um meio conversar com o outro, reforçando ainda mais o ponto do Gareth Kay – “It´s not about social media. It´s about social ideas”.
Dentro desse contexto de consumo multi-tarefas, é interessante notar a interação cada vez mais fluida entre o que rola na televisão e o que as pessoas buscam no google. Enquanto veículo de massa, a TV sempre acaba pautando a agenda das pessoas também no mundo on-line. E uma boa maneira de medir isso é pelo google trends, que mostra infográficos sobre o que as pessoas estão procurando ativamente na internet.
Em tempo real é possível ver o nível de engajamento das pessoas em resposta aos estímulos da TV. O Fantástico, da Globo, toda semana tem picos que começam na quinta feira e vão até a segunda feira. As buscas no google aumentam quando começam as chamadas do programa ao longo da semana, e termina com o reprise da Globonews do domingo. Dá pra reparar, por exemplo, que as chamadas do Fantástico do dia 24 de maio foram mais efetivas. E certamente esse é um jeito mais “2.0″ de medir a qualidade do conteúdo dos programas:

E se nos domingos o Fantástico domina, na segunda feira quem reina é o CQC, com picos mais agudos e um gráfico com linhas mais triangulares. Isso provavelmente porque (erroneamente) a Band não trabalha com a estratégia de realizar chamadas antecipadas para o CQC ao longo da semana:

Outra coisa legal de notar é como o nível de engajamento on-line do CQC é relativamente maior que o do Fantástico. Para se ter uma idéia, a média de audiência na televisão do Fantástico é de 23,9 pontos, enquanto o CQC fica com 4,5 (aud. domiciliar). Mas em termos de pessoas que buscam pelos programas no google, durante várias semanas do mês de maio os números do CQC foram relativamente maiores do que o dominical da Globo.
E independente da qualidade dos programas ou da qualificação da audiência, o que dá pra constatar é que de fato não existe uma separação entre o mundo on e off line, mas sim uma natural fusão das interfaces de informação.
E aí, o que você vai fazer para o seu comercial da TV conversar um pouco mais com a internet?
Estalo relacionado:
Google e mais nada? Bullshit.
menos interrupção ou contextualização?
escrito por Mastropietro Luiz em 05/05/2009 | Sem comentários
categorias: Ad, Mídia, TV
Tem gente que aproveita a hora do comercial para ir ao banheiro. Mas aqueles que não se levantam do sofá, raramente aguentam assistir a um break comercial completo.
Os programas criam conteúdo que as pessoas querem ver e por consequência atraem a audiência, mas muitas vezes o break comercial chega apavorando e espanta todo mundo. Dependendo da qualidade do break comercial, ele pode reter ou espantar a audiência que o programa havia captado.
Desse fenômeno nasce o zapping de canais, um grave problema para as emissoras que sofrem com a queda da audiência na hora do comercial.
Veículos, agências e anunciantes estão criando maneiras preventivas para segurar a audiência durante os breaks. Deste, dois modelos se destacam
1) Menos interrupção
A Rede Globo está restringindo em 2 minutos o tempo do break comercial de programas como o Jornal Nacional e Globo Esporte. A horário do plim plim ficou mais rápido.

Desta forma ela pretende reter a audiência de seus programas, sem deixar que aqueles comerciais a “atrapalhem”. Perde um pouco de receita, mas ganha em ibope (que talvez permita aumentar o custo da inserção dali um tempo). É uma solução, mas talvez estejam abordando o problema da maneira errada. Pelo menos é o que acreditam os embaixadores do modelo a seguir.
2) Mais contextualização
Se os três minutos habituais de `propaganda` fossem tão interessantes e relevantes quanto o jornal, o risco de haver vazão de audiência e zapping diminuiria bastante. Se a Globo lutasse pela qualidade e contextualização dos comerciais veiculados em sua programação, ela poderia continuar com intervalos de 3 minutos, gerando mais dinheiro de anunciantes, além de manter um ibope melhor.
Por outro lado, tal modelo traria implicações complexas para a criação tradicional das agências (também) tradicionais, já que estas teriam que criar diversas peças levando em consideração o contexto de onde seriam veiculadas (comercial versão telejornal, versão novela 3, versão futebol, etc). Mas se as agências ainda não se movem tanto este sentido, os próprios veículos começam a se proteger do zapping, criando o comercial de seus anunciantes com o mesmo contexto e linguagem do programa.
É o caso do CQC, que durante o programa exibidos diversos “comerciais” criados pelos própios integrantes do CQC (em conjunto com as agências). E tem vezes que o pessoal do CQC acerta a mão mais do que as agências (não é o caso de Skol).
A MTV é outro exemplo que se preocupa com o contexto e a retenção da audiência em seus breaks comerciais. Além de várias marcas criarem peças com uma linguagem específica para ser veiculada na MTV, a emissora infesta os breaks com comerciais com sua própria linguagem da programação (geralmente aqueles visuais freaks que surgem durante o comercial).
Você decide
No final, de duas uma: contextualização ou menos interrupção.
Qual será a solução?
google e mais nada? bullshit
escrito por Werner Iucksch em 04/05/2009 | 3 comentários
categorias: Mídia, Pesquisa, Web
Quem se interessa por comunicação eficiente certamente já parou para estudar um pouco o search marketing. Não é muito glamuroso, mas pode dar resultados fantásticos em pouco tempo. Search faz a internet ter algum sentido, senão seria praticamente impossível achar qualquer coisa, de maneira que muitos falam que o Google é a sua homepage de fato (a Dell até criou uma homepage co-branded com o Google, que está em todos os seus computadores)
O interessante é que muitos usam essa informação para argumentar que uma estratégia baseada apenas em search é mais eficiente. Comprar links no Google seria uma forma de vender pra chuchu. Nunca comprei muito essa teoria, mas não tinha dados objetivos para rebater. Eis que essa semana vi uma apresentação do próprio Google batendo nessa premissa… segundo eles, nada mais errado do que acreditar que só search pode fazer uma campanha de sucesso.
O Google cita uma pesquisa da Jupiter Research sobre o assunto, que entre muitas coisas perguntou:
“Nos últimos 6 meses, quais das seguintes coisas te motivaram a entrar num search engine e procurar informação sobre uma empresa, produto, serviço ou slogan?”

Esse resultado é relativo ao público americano, mas não vejo razão para que a mensagem final seja diferente no Brasil: campanha off-line dá vida para campanha on-line, criar um argumento no qual uma coisa é boa e a outra ruim é uma tremenda bullshitagem para vender mídia. Se mesmo o Google fala sobre o assunto, acho que dá para pensar nisso na sua próxima campanha.
por uma madrugada nostálgica
escrito por Mastropietro Luiz em 16/04/2009 | Sem comentários
categorias: Cult, Mídia, Pensamento
Em uma madrugada qualquer, assistindo a TV Bandeirantes flagrei este filme do D.D Drin que me chamou a atenção:
Em meio a um mar de propagandas e conceitos genéricos, fiquei intrigado com a forma distinta e original do D.D Drin e então descobri que na verdade se trata de um legítimo cult de 1976 criado pelo Ely Barbosa antes mesmo dele ficar famoso.
Ao invés de dedicar recursos à criação e produção de um novo filme, a D.D Drin resolveu re-veicular um filme clássico especificamente na faixa horária da madrugada, o que faz sentido levando em conta que boa parte audiência que era jovem em 1976 provavelmente está acordada nas madrugadas de 2009 pensando nos problemas da vida. Um horário fértil para trazer de volta as boas lembranças de toda a psicodelia dos anos 70 à baixo custo.
À exemplo da D.D Drin, outras empresas também poderiam transformar a madrugada em seu “horário nostalgia”, veiculando os filmes de 20, 30 anos atrás. Certamente para muitos de nós o posicionamento e a linguagem do passado fazem mais sentido do que as coisas que são veiculadas atualmente no horário nobre.
Responda rápido: qual comercial do Guaraná invadiria a sua tela com mais simpatia e relevância: “É o que é” ou “Pipoca com guaraná”?
Estalo relacionado:
Nostalgia do bem
|
