propaganda sabor tutti-fruti

escrito por Felipe Senise em 30/01/2008 | Sem comentários
categorias: Pensamento

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O senso comum da propaganda tem uma máxima muito peculiar: propaganda boa é aquela que fica na sua cabeça e que você associa imediatamente com a marca. É um postulado irrefutável para qualquer leigo que nunca passou perto de um contato mais sério com a atividade. Toda vez que encontro meu sogro e surge o assunto propaganda (ele adora), cito uma que gostei recentemente e ele me vem com “Ah, mas essa aí é legal, mas não sei se funciona não, ninguém nem lembra direito da marca”.

Eis que li recentemente no blog do Seth Godin a seguinte frase: “That’s what great marketing and great ideas do. They get stuck. This song from Ini Kamoze just won’t leave my brain (and if you listen once, you’ve only got yourself to blame.) The video is lame, but the song is absolutely perfect if the goal is to spread the hook”

Eu tendo a não concordar muito com esse ponto do Seth. Para mim grandes idéias tem muito, mas muito pouco a ver com grudar na cabeça das pessoas. Aliás, eu vejo, confesso que com um certo exagero, que se trata exatamente do contrário. Idéias pequenas precisam buscar no gude do chiclete uma compensação da sua grandeza (ou “pequeneza”). Afinal, se não tem lá muitos significados, que pelo menos faça um recall vistoso.

Uma boa idéia não precisa grudar na cabeça para funcionar. Eu já ficaria muitíssimo satisfeito se alguém entrasse em contato com a minha idéia e parasse para investir um pouco de tempo nela. Só um pouco. Considerando que a propaganda não é exatamente alguma coisa que ocupe as primeiras colocações no ranking de importância na vida das pessoas, soa meio pretencioso buscar fazer coisas que grudem na cabeça delas e tudo mais. As vezes só fazer a pessoa simpatizar com a sua idéia e perder 5 minutos com ela já é um resultado fantástico.

Enfim, propaganda chiclete soa para mim como qualquer coisa chiclete: um saco!

 

No Responses to “propaganda sabor tutti-fruti”

  1. Mastropietro Luiz Says:

    Então você ta querendo dizer que Casas Bahia é um fracasso? Que a idéia de Tostines vende mais por que é fresquinho, ou é fresquinho por que vende mais não presta? Ou que nenhuma propaganda da Brastemp é boa?

    Não sei se concordo. Não que Casas Bahia me agrade. Mas Brasil é Brasil, são 180 milhões de pessoas bem diferentes da gente. Às vezes essas coisas que a gente acha bizarro funcionam. E muito.

    Por enquanto ficarei ao lado do Seth.

     

  2. jean carlos Says:

    tb não concordo e apoio o mastropietro…

    e se voce conseguiu que uma pessoa “pelo menos perdesse 5 minutos com sua idéia” vc não deveria ficar nada satisfeito porque o que realmente vai grudar na cabeça dela é que sua idéia a fez PERDER 5 minutos da vida dela e nada mais

     

  3. Felipe Senise Says:

    Mas, Luiz, não é questão de achar bizarro ou não. Não me referi à qualidade criativa de nenhuma comunicação chiclete assim. Só o que estou falando é que pra mim isso não é indicador de uma grande idéia. É muita pretensão – hoje em dia ainda com a mídia tão fragmentada – querer que uma propaganda grude na nossa cabeça. Nike nunca grudou na minha cabeça, Apple muito menos. A maca gruda, a comunicação dela não. O todo compõe uma marca que ocupa nossos pensamentos e é importante na nossa vida, mas acho que isso não tem nada a ver com fazer comunicação chiclete. E, Jean, o que quis dizer com perder 5 minutos é que o cara QUIS perder esses 5 minutos com a idéia e achou isso legal para ele. 5 minutos para uma idéia de comunicação para mim é uma monstruosidade. Pense em quanto tempo você dá para uma marca no seu dia. Deveríamos ficar muito felizes com isso sim.

     

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