a escravidão das escolhas

escrito por Felipe Senise em 06/03/2008 | Sem comentários
categorias: Apresentações, Inspiring

Você vai ao supermercado e tem 285 opções de bolachas, 230 de sopas, 175 de molho para salada, 75 de chás gelados, 40 de pastas de dente. Isso é bom ou ruim? A resposta é… sim! E foi desse jeito que Barry Schwartz começou sua palestra no TED no longínquo 2005.

Que não é nova vocês já notaram, mas o ponto vale a pena ser retomado. Para Schwartz, existe uma relação direta e simples que diz que todos nós queremos maximizar nosso bem-estar e que quase sempre isso é associado com ter mais liberdade. Ter mais liberdade na nossa cabeça é ter cada vez mais escolhas e possibilidades. Então, mais possibilidades quer dizer mais bem-estar, certo?

Não exatamente. Há alguns efeitos colaterais que furam esse raciocínio. São basicamente 4:

01. Regret and antecipated regret
A gente se arrepende com muito mais facilidade porque como a gente tem mil opções de compra, sempre estamos deixando uma boa oportunidade para trás quando fazemos a escolha por apenas uma.

02. Oportunity costs
A segunda coisa é que uma grande cardápio de opções faz com que nunca fiquemos satisfeitos com as nossas escolhas, ainda que elas tenham sido boas. Ficamos com o que escolhemos, mas com a cabeça no que rejeitamos.

03. Escalation of expectations
Em seguida ele trata da questão de expectativas. Quanto maior a sua chance de escolher, maior é sua expectativa para com ela. E quanto maior sua expectativa, mais facilmente você vai se frustrar com a escolha.

04. Self-blame
A última e talvez mais interessante é a culpa que atribuímos a nós mesmos quando nosssa escolha se mostra errada. Se temos poucas opções e a que escolhemos dá errado, a culpa é domundo que nem sequer foi capaz de nos oferecer uma opção correta. Mas diante de tantas possibilidades, escolher errado só pode ser nossa culpa. De quem mais poderia ser?

Além de ser uma boa reflexão sobre um aspecto do comportamento humano na contemporaneidade, essa idéia do Barry Schwartz pode ser aproveitada num pensamento de estratégia de portfolio. Quantas opções de produto sua marca vai oferecer para as pessoas? Com quantas opções de configuração no caso de eletrônicos? Está valendo mais a pensa fazer uma estratégia de cardápio, de customização ou “minimalista”, com o perdão do mau uso da palavra?

Bom, eu não sou nem louco de tentar responder. Em vez disso, fiquem aqui a palestra completa do simático Barry Schwartz no TED 2005.

Vi, li e roubei a dica do ótimo Logopéia

 

No Responses to “a escravidão das escolhas”

  1. Paula Gabriel Says:

    Oi Senise,

    Seu post me lembrou um texto bacanérrimo do Contardo Calligaris na Folha Ilustrada de 10/01/08: LIBERDADE PARA O QUÊ?
    Tá no blog dele, tenho certeza que vc vai gostar: http://contardocalligaris.blogspot.com/2008/01/liberdade-para-o-qu.html

    bjs,
    Paula

     

  2. Felipe Senise Says:

    Pô, Paulinha, fiquei com vergonha de ter resenhado a mesma coisa que o Calligaris. Tenho que esconder esse post agora… hehehehe!

    Valeu pela dica,
    bj

     

Leave a Reply

 

 

|