a evolução dos “virais”

escrito por Mastropietro Luiz em 14/03/2008 | Sem comentários
categorias: Pensamento

Há quanto tempo você não recebe um “viral”?

Se há três anos atrás toda semana pipocava uma nova piadinha patrocinada por uma marca em seu e-mail, hoje em dia os “virais” parecem estar cada mais esquecidos em guetos esparsos pelo YouTube. Parece que as pessoas já estão vacinadas, cheias de anticorpos contra os virais. Ficou batido, cansou, já deu…

ImageShack

Mais engraçado do que as historinhas dos “virais” é imaginar que a imensa maioria dos esforços de publicidade on-line são pensados para “entreter” as pessoas. Uma batalha sem fim pelo sorriso do internauta. Para quem vê de fora, parece que a indústria de publicidade é feita por humoristas e cineastas frustados. É piadinha em todo canto – basta entrar em qualquer site de marca – esperar aquele flash de 5 megas carregar e esperar para ver as historinhas e advergames. Quem tem tempo para ver isso? Talvez o que a gente tenha esquecido é que esse tipo de conteúdo está concorrendo com o Playstation, o Wii, Hollywood, Lost, as novelas da Globo, etc…

Não estaria na hora dos virais se renovarem? O Senise já tinha falado sobre isso por aqui e agora, na Adweek saiu uma matéria interessante sobre o que eles consideram a evolução dos virais: iniciativas que vão além da forma e do conteúdo – e adicionam função. Em outras palavras: algo que tenha alguma utilidade além de fazer as pessoas darem risada. A matéria completa você lê aqui, mas separei alguns quotes que dão uma boa idéia do que eles estão falando:

“Funny microsites are giving way to useful, sometimes entertaining applications”

“The new ‘viral’ is going to be a business solution for clients”

“It becomes less about information as pollution and more about information to help people get through life”

“When you create a utility, you’re creating something that gives people time back”

Apesar de ser um exemplo desleal, pensei no Google – nunca fez uma propaganda – cresceu através do boca em boca – não é bonitinho, nem engraçado. Mas é útil, faz as pessoas ganharem tempo, é uma solução. Enfim, responde aos quatro quotes acima. Algo que a maioria dos sites em flash de 5 megas com historinhas engraçadas não responde.

 

No Responses to “a evolução dos “virais””

  1. Caio DelManto Says:

    As pessoas cairam na real que, ouvir piadinhas de marcas é uma puta perda de tempo. Não faz ninguém comprar mais por isso. Mais um trabalho de publicitários para publicitários.

     

  2. Werner Iucksch Says:

    Uns tempos atrás li uma entrevista do gerente de mkt da Scion, que é uma marca de carro para jovem da Toyota (se não me engano), que tem como princípio nº1 de mkt ser underground.

    O tal gerente falava que os “virais” deles têm diversas formas, mas uma que estava dando muito certo era fornecer widgets da marca, com feed de blogs sobre cinema e música independente (feitos por terceiros), justamente pq quem compra Scion quer ser uma espécie de garipeiro cultural. Ou seja, a Scion estava fornecendo material para a garimpagem, estava fazendo um serviço relevante.

    Podem me criticar e falar “Blz, mas isso é trabalho de formiguinha… duvido que dê dinheiro pra quem faz isso. É insustentável”. Se fosse para uma agência do tamanho da McCann, da JWT ou mesmo da Fischer, provavelmente seria o tipo de coisa insustentável mesmo por várias razões. Todavia, a Scion não tem uma agência única, eles preferem trabalhar com diversas agências, cada uma com uma especialidade, de forma que o modelo de negócios seja bom para todas e não exista conflito de interesses. Aliás, seria essa uma tendência para a contratação de serviços de comunicação?

     

  3. Thiago dMello Says:

    o texto do AdNews + Este post são um resumo muito bom mesmo do contexto de marcas realmente servido os usuários!!! Citar o Google é mais do que válido! Você dificilmente verá uma propaganda deles divulgando algum novo produto, isso acontece de forma espontânea.
    Lembra quando produtos serviam apenas para satisfazer uma necessidade primária? Acho que o pensamento é mais ou menos o mesmo agora, só estamos mudando o meio de satisfaze-las em outro ambiente.
    Os sites bonitinhos em Flash também ajudam a construir imagem de marca, na minha opinião, assim como os comerciais e tudo mais.

    é a evolução natural dos acontecimentos. Valeu

     

  4. gfortes Says:

    Acho que não é uma evolução. Marketing viral sempre foi isso que vc coloca. Para comprovar, cito um dos cases virais mais repetidos. O case do Hotmail. Onde foi dado um email grátis (extremamente útil). Quando o usuário mandava o email ia a mensagem do hotmail no rodapé. Simples. Mas o crescimento da base de usuários foi gigante. Viral. Sem propaganda.

    Este conceito da gracinha é bem brasileiro. Bem agencia de propaganda brasileira que faz comercial com cachorrinho.

    Mas tb acho que o viral pode ser uma piada sim. O problema é ser uma piada sem graça, que é preciso comprar um post no Kibe Loco para espalhar. E isso não é passado. Acontece o tempo todo. Vai lá no Kibe e procura.

    Este estalo é muito bom. Parabéns. abs, @Gfortes

     

  5. Carlos Merigo Says:

    Já eu acho esse pensamento de “tudo tem que ter uma utilidade” um tanto careta.

    A utilidade, acredito eu, será apenas mais um dos fatores para comunicação online, como tantos outros que cansamos de repetir no dia-a-dia: autenticidade, facilidade de uso, surpreendente, fácil disseminação, relevância, etc, etc.

    Não podemos esquecer que o entretenimento, por si só, é capaz gerar envolvimento com o consumidor, imagem de marca, e sim, precisa competir com Hollywood, videogames, novelas da Globo.

    Construção de marca passa por aí. Um trabalho desse não pense em te vender nada agora, mas quando você for pensar em comprar, “lembre de mim”.

     

  6. Nero Says:

    Às vezes rola também uma mistura de utilidade com entretenimento.

    E é esse tipo de coisa que tem o maior potencial latente de se tornar um “viral”.

    Para mim, o case mais impressionante de fenômeno viral que eu já testemunhei foi quando o Orkut explodiu no Brasil.

     

  7. Gfortes Says:

    Merigo, quando o post coloca que tudo tem que ter uma utilidade, não é necessariamente careta. O exemplo do entretenimento, por exemplo, é útil. Mesmo uma piada pode ser útil. O que não é útil são filminhos “engraçados”.

    abs

     

  8. Lotufo Says:

    Meus queridos, os virais encheram os sacos – ou as caixas de entrada – de vocês? Que pena. Vou ser bem sincero: devo estar completamente fora do ambiente natural de reprodução desses vírus. Por quê? Eu conto nos dedos quantos virais eu recebi em toda a minha vida. (Ok, juntando os dedos dos pés também.)
    Mas meu ponto é: acho que temos muito o que fazer ainda pelo viral! Ele simplesmente mantém viva a propaganda. Sou super a favor do viral. E viva o viral engraçado. As pessoas não trocam de canal, colocam Tivos e instalam TVs Digitais? Pois como fazê-las rir, se não pelo conteúdo das novelas sem-graça? Viva o viral engraçado. Viva o viral informativo. Opa! Já recebi vários…viral avisando das maldades das crianças imitarem o mau comportamento de seus pais. Que viral maravilhoso. E viral ARG? Isso já existe. Mas o melhor mesmo são os virais-políticos. Claro. E aí chegamos no que eu acho de mais maravilhoso sobre os virais: a propaganda tá na mão de todos. E voltamos a velha história de que propaganda propaga. Seja o que você quiser. E seja o que Deus quiser.

     

  9. Renato Russo Says:

    Gfortes,
    evolução não necessariamente é pra melhor. Acho que o sentido que o Luiz pensou aqui foi da mudança de abordagens. Mas acho que não foi simplesmente mudança e sim abertura de novas possibilidades e concordo com o Lotufo: alguns consumidores querem diversão sim. Outras não. Alguns querem informação. Outras não.
    Na minha opinião há espaço pra todos eles, dependendo do perfil do público-alvo. Errado?
    Abs

     

  10. Fábio M. Says:

    Renato Russo,

    Você não prestou atenção no que o GFortes disse. Viral sempre foi isso que o Luiz descreveu como novidade, não há mudança de abordagens. Pode ter novos cases, dentro dessa abordagem.

    Se um vídeo ou microsite for bom a ponto das pessoas comentarem, contagiarem outras pessoas com uma boa sensação da marca, tá valendo, é útil. E pra ser bom, os criativos têm que encarnar cineastas ou animadores de platéia sim, fugir dos guidelines. Minha opinião.

    Eu mesmo sempre pensei viral mais como o Orkut, ou os ARG’s, que são vírus que “pegam”, do que vídeos que procuram ter mídia espontânea, que são passados pra frente e esquecidos logo depois. Mas se é utilidade ou diversão, vai depender do objetivo, do target, blá blá blá. Diversão pode ser muito relevante…

    é isso.

    Abraço ao pessoal do estalo, o blog tá cada vez melhor.

    Fábio

     

  11. Fábio M. Says:

    Tive uma impressão meio tardia. Não é ‘a toa que “viral” no título está entre aspas. É?

     

  12. felipe Says:

    Contagia até onde? Até onde é relevante? Pergunta pra alguém a marca da cerveja daquele “viral” que o cara pula na banheira?
    Mas temos que perguntar para o consumidor, pq o publicitário conhece isso de cor e salteado, afinal isso que alimenta o mercado dele. Achar coisas que renovem a publicidade.

    Ah, e tem outra, por mais que se faça hoje em dia propaganda com vontade de ser viral, a idéia de ser um real vírus não cumpre mto bem, vira só mais um quadradinho pra ticar no briefing pra criação…

     

  13. Katharineqq Says:

    omg.. good work, brother

     

  14. Renato Russo Says:

    Fabio M,
    Uma coisa é não prestar atenção e não entender. Outra coisa é discordar. Eu posso ler algo, prestar atenção, entender e concordar ou discordar.
    Apenas discordei do que disse o GFortes, não vejo problema nisso.
    Só pra entender se sua concepção de “abordagem” é a mesma que a minha: um site como, sei lá, Subserviente chicken foi viral, não foi? Alguns vídeos do Obama, com gente cantando, chorando, etc, são virais também, não são? Eles adotam a mesma abordagem?
    Forte abraço,
    Renato

     

  15. Allisonvo Says:

    well done, man

     

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