desilusão televisiva
escrito por Werner Iucksch em 18/04/2008 | Sem comentários
categorias: Pensamento
Nesta semana saiu um report muito interessante da Accenture sobre a situação atual e perspectivas da TV aberta em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil. Eles dizem ser o maior conduzido nos últimos anos sobre isso e tem muita coisa interessante.
O resumo da ópera é o seguinte: o consumo de conteúdo da TV como conhecemos está cada vez mais migrando para outros tipos de aparelhos (celulares e computadores, basicamente) que permitem que este conteúdo seja visto na hora que a pessoa quiser, onde quiser. E mais, o conteúdo disponível na TV está cada vez menos atraente, especialmente no Brasil, onde existe o maior nível de insatisfação com o que a TV oferece.
O fato me parece ser o seguinte: TV, como conhecemos e a propaganda sempre utilizou, é coisa de quem tem cabeça velha.
É coisa de mentalidade velha porque não permite interação, porque temos que adequar nossos horários a ela, porque ela escolhe qual a profundidade do assunto que estará por lá. Se formos olhar a satisfação da camada mais jovem da população (especialmente aqueles com menos de 25), com a maneira como o conteúdo que das emissoras é distribuído (e suas possibilidades), temos dimensão do fracasso do modelo que até hoje impera por aqui. Veja esse gráfico:
Pode-se pensar: “Ok, quanto mais jovem, mais se quer acessar conteúdo de maneiras diversas, mas pra isso precisa de uma infra-estrutura que ainda não temos”
É um ponto válido, sabemos como o Brasil é neste sentido. Porém, diversas operadoras já estão ofertando celulares 3G ou estão em vias de fazê-lo. Da mesma forma, nunca se vendeu tanto computador, penetração de banda larga está aumentando muito e a Telefônica está testando rede de banda larga de até 30Mbits em SP. Ainda pode levar um pouquinho de tempo, mas já já as pessoas aprendem a usar isso… e aí, um abraço para as emissoras tradicionais e seus anúncios de 30″. Eu mesmo, cancelei a NET depois que aprendi a ligar o computador na TV, agora o virtua é suficiente. Em breve isso será via streaming e aí não vou nem precisar de HD.
“Tá, e eu com isso?”
Não sei exatamente, mas se eu pudesse tentar dar um conselho, seria o seguinte: APRENDA A PENSAR DIGITAL. Não importa se vc é mídia, planejador, redator, atendimento, DA, diretor, roteirista ou o que for.
- O que as pessoas estão fazendo com seus celulares e computadores?
- Isso influencia a maneira como se relacionam e compram os produtos de nossos clientes?
- Quais as possibilidades que meios digitais nos trazem para que entremos na conversa?
- O que é preciso para aproveitá-las?
Essas são perguntas que andam circulando cada vez mais em certas contas, mas – vai por mim – logo logo estarão em todas. E vão passar da “parte online da reunião” para o centro, a primeira coisa que seu cliente vai perguntar. Para mim é meio óbvio que a “indústria criativa” brasileira está muito atrasada neste sentido; até conseguimos gerar algum conteúdo de qualidade, mas estamos quase totalmente escravizados na maneira como o distribuímos. Agimos como se não houvesse mais de um caminho possível entre dois pontos. Então, pense nisso como uma oportunidade, sua carreira pode se beneficiar muito disso.
Como o Brian Collins (convidado da McCann para a Semana de Criação), falou numa conversa com alguns daqui, “em NY, não se fala que o modelo tradicional de propaganda está morrendo, fala-se que ele já morreu.”.
Quanto tempo para esse modelo fechar os olhos por aqui?
No Responses to “desilusão televisiva”
Leave a Reply
|



Abril 18th, 2008 at 11:38 pm
Demais. Sem palavras.
Abril 22nd, 2008 at 6:36 pm
Pra mim, a propaganda tradicional (30seg no intervalo de programas) está morta há muito tempo. Ninguém liga e nunca ligou a TV pra ver as propagandas. O momento da propaganda é aquele em que se vai ao banheiro, vai fazer uma pipoca, momento tedioso por quebrar o melhor momento do filme e da novela. Quem precisa disso? Agora, se os conteúdos da TV estão ruins, muito pior. Aí que ninguém precisa ligar a TV mesmo. Perda de tempo. É só entrar no Youtube e resolver isso.
O que os publicitários não entendem é que essa propaganda não existe mais. Experiências no PDV, ações de ativação, Web são muito mais importantes. Não precisamos de pesquisa pra falar isso. É bom senso.
Abril 23rd, 2008 at 7:52 pm
Cara, eu te amo, casa comigo!
Abril 23rd, 2008 at 10:24 pm
O post tá bom assim?