Cannes | GP Film | Gorilla
escrito por Werner Iucksch em 21/06/2008 |
categorias: Ad, Pensamento, Prêmios
Gorilla levou um dos o GP de filmes (o outro foi Halo 3, o Senise fez um ótimo post sobre ele). Voltando para Gorilla, o filme é misterioso, mas deu um resultado tremendo. A Cadbury diz que esse filme foi a peça central para fazer a empresa bater suas metas ano passado. Se alguém ainda não viu, veja:
Interessante pensar que isso é tão louco que com certeza absoluta nunca seria veiculado se tivesse passado por pesquisa, certo? Tal não é a surpresa de muita gente quando descobre que na verdade esse filme foi testado sim. E pela Millward Brown (MwB), no mesmo Link Test pelo qual passam filmes de Johnson’s Baby, Doriana e diversas outras marcas que não são exatamente conhecidas pelo seu arrojo.
E não é que o filme ficou entre os 20% melhores do banco de dados da Millward da Inglaterra?
No blog do Nigel Hollis, chief global analyst da MwB, rolaram duas discussões muito interessantes que em certo ponto acabaram neste filme. A primeira falava especificamente sobre a validade de pré-testar material como 1984 (lembram-se disto?) e Gorilla, que têm linguagens muito novas, portanto existiria uma predisposição ao clássico “não conheço/entendo, portanto não gosto”, vale a pena ler tudo, mas o argumento é que acertando metodologia, perfil dos entrevistados e o que observar nos resultados, certamente 1984 passaria.
Na discussão do segundo post, mais especifico sobre “Gorilla”, Nigel destacou que a taxa de Enjoyment (Divertimento) causado pelo comercial é altíssima. Seguindo o raciocínio, chocolate, de maneira geral, é divertimento, é endorfina, é puro prazer. Aí o negócio começa a fazer sentido. A campanha lembra as pessoas como chocolate faz elas se sentirem (tem outro filme da Cadbury com a mesma linha). Ou seja, definiu-se o que se deveria esperar do filme.
O desafio final seria fazer o link com a marca. O ponto tricky para converter isso em resultado de vendas não pode ser desprezado e me lembra os tempo que eu planejava para Unilever: a campanha vende a categoria e, na Inglaterra, Chocolate = Cadbury. Ou seja, levar em consideração a situação de mercado da marca e não apenas o pré-teste em si.
Grande filme, brilhante, mas que não foi destroçado pois ficou claro o que ele tinha que fazer. Parte do mérito é para as pessoas responsáveis pelo pré-teste e para o cliente. Ao contrário do que muita gente prega por aí, o cara não foi dar a cara para bater, botou o seu na reta, colocou a faca entre os dentes… o cara arriscou sim, lógico, mas muito menos do que a muita gente por aqui acha que nossos clientes deveriam fazer. E conseguiu o GP.
Último pensamento, aqui no Brasil a campanha venderia Nestlé?
One Response to “Cannes | GP Film | Gorilla”
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Junho 25th, 2008 at 5:56 pm
Acho que foi no blog do Gareth Kay que ele falou uma coisa mto interessante e que está presente neste filme. Não lembro exatamente, mas a idéia é algo do tipo: quando formos pensar em uma estratégia de comunicação, pq não pensar o processo a partir de uma resposta emocional das pessoas, o que queremos que elas sintam com o que vêem?
E muito bacana saber que não só o filme é extramamente habilidoso em despertar “joy” nas pessoas, bem como a agência (criativos, planejadores, atendimentos) tb foi muito hábil na condução do processo para levar ao ar uma campanha diferenciada e que precisava de um certo lastro pra poder ganhar vida!