Dar o furo ou dar com os burros n’água?

escrito por Luiz Yassuda em 30/07/2008 | Sem comentários
categorias: Pensamento, Web

Estava lendo o ótimo post do Werner logo antes deste, sobre QR Codes, e andei pensando em algumas coisas. Claro que tudo tem relação com as modernices internéticas com as quais trabalho, mas antes eu dou um passo para trás e trago uns estalos que não são meus, sobre o jornalismo.

Há algum tempo, li um excelente post sobre o “furo de reportagem” acerca da morte do ator Heath Ledger no blog do Tiago Dória. Ele cita os veículos que conseguiram dar o “furo”, ou seja, aqueles que conseguiram noticiar primeiro sobre o incidente. Foram três sites, e sobre eles, Tiago escreve que “A diferença de tempo de publicação entre um e outro foi de minutos. Não deu nem para perceber o almejado furo. Em uma visão mais tradicional, o NYT se deu bem. Publicou antes a informação. Mas, às vezes, nos blogs jornalísticos não é bem assim. Não se destaca quem dá a informação primeiro, mas quem contextualiza, escreve melhores ’suítes’ e tem condições de mobilizar, em questão de minutos, uma equipe em torno de um assunto.” Termina dizendo que um outro portal conseguiu reunir fotos do local, equipe ao vivo e o escambau e obteve, portanto, maior destaque em sua cobertura do ocorrido.

Trazendo para o nosso mundo da propaganda, eu me pergunto se as coisas não são parecidas quando nos defrontamos com alguma nova tecnologia ou possibilidade de mídia. Vale a pena correr para ser o primeiro a fazer algo, ainda que seja fraco, utilizando uma mídia ou vale a pena esperar para entrar com força?

Os exemplos que trago utilizam o mesmo site, o famoso YouTube. Quando o YouTube passou a operar com mídia tradicional de web em sua página, a Africa soltou uma nota dizendo que foi a primeira agência a colocar um superbanner por lá.

O outro exemplo eu até coloco aqui para reproduzir: o primeiro vídeo-interativo de YouTube utilizado para fins publicitários, feito pela Salles Chemistri:

Repito a pergunta: vale a pena dar esse furo? Em outras palavras, a pergunta seria “não valeria a pena esperar mais e entregar algo decente?”. Um furo publicitário, como podemos ver, pode chamar a atenção. E fica nisso? A agência ganha um pioneirismo falso, a ser desbancado por qualquer um que fizer um case melhor (e não está difícil), o cliente fica meio perdido numa peça veiculada de maneira mambembe e todo mundo sai feliz?

Se for sempre assim, ainda bem que, por exemplo, o pioneiro anúncio brasileiro contendo um QR code é facilmente ignorável, já que fotografar um QR code dá um pouco mais de trabalho do que clicar em qualquer link que chegue ao e-mail. Só para constar, ele já foi veiculado. Você se lembra? É, eu também não. No fim, vou lembrar do que eu achar que foi melhor trabalhado, e não apenas de um “furo”.

 

No Responses to “Dar o furo ou dar com os burros n’água?”

  1. Mastropietro Luiz Says:

    Pensei nisso quando li o post do QR Codes.

    Realmente lembro de ter o visto o furo aqui no Brasil – “Marca XXX é a primeira a fazer QR Codes no Brasil”.

    Não lembro da marca, nem da ação, nem vi isso em nenhum lugar a não ser uma nota em uma publicação voltado para publicitários.

     

  2. Fábio M. Says:

    Bom, pode ser que o pioneirismo por si só não seja tão relevante, e esse exemplo usado é muito bom. Mas se além do bom uso da ferramenta, houver pioneirismo, então a ação é duplamente inteligente – mesmo que esse segundo fato não seja o mais importante.

    abraços,

    Fábio M.

     

  3. Felipe Senise Says:

    01. Não tem nada mais antigo que ser o primeiro a fazer qualquer coisa. Pioneirismo é tão anacrônico que chega a me dar vergonha.

    02. Quanto ao QR, sei lá, caguei. Se virar alguma coisa ótimo, vamos usar, se não tb dane-se… é bacana pela novidade, mas por enquanto é só um quadrado bizarro, coisa de japa.

    03. Belo post, Yassuda.

     

  4. Daniel Fonseca Says:

    Bom post.
    Pois é… ando tão sem saco para estes “fricotes histéricos” do mundo publicitário.
    Vamos trabalhar, minha gente. Produzir coisas relevantes….
    Ser o primeiro a fazer uma grande bobagem…. Ah! Me poupe. Vamos botar este povo pra ler. Estudar. Procurar o que fazer….Sei lá…

     

  5. Fábio M. Says:

    Fincar a bandeira na Lua e ficar dizendo “Cheguei Primeiro” enche mesmo o saco. E tanto importa. Concordo, então, que correr para ser pioneiro é burrice. Só para deixar claro.

    Mas o inédito, se não vira notícia, pelo menos deslumbra a quem atinge. Neguinho vê um quadrado muito louco pela primeira vez, quer interagir, etc e tal – de repente até escreve um post no seu blog. Se o objetivo é causar imagem de marca com a inovação tecnológica, pode falhar, porque o cara vai esquecer. Mas se o objetivo é gerar vendas, promocionalmente, despertar uma curiosidade pela novidade tecnológica, pode funcionar muito bem. Mas isso é só um dos elementos de uma boa ação – que nem sempre é legalzinha entre publicitários, mas funciona.

     

  6. Werner Iucksch Says:

    Só para deixar claro: o objetivo do post sobre QR Codes não é dizer algo como “Olha só, vamos fazer isso correndo”. O que eu queria mostrar é um pouquinho do potencial mercadológico disso, que pode ser sofisticado a ponto de viabilizar um joguinho como o Word’s Worst War.

    Sobre ser pioneiro ou não, acho que as coisas tem que começar em algum lugar, muitas conquistas da ciência só sairam do papel porque tinha concorrência entre grupos rivais de pesquisadores. Uso pioneiro da mídia X é quase risível, nesse caso o objetivo provavelmente é RP instantâneo, que concordo não ter impacto, mas também não vou generalizar. Não vou defender QR Codes ou o que quer que seja para cliente meu, se a ação não for relevante, mas se for (saindo do mundo da publicidade: introdução de airbags em automóveis, num passado distante), aí isso vira um ativo da marca e prova compromisso com as pessoas que compram seus produtos/serviços (o tal belief na prática). Lógico que isso tem que ser sustentado no longo prazo, mas deixar de inovar é receita para morrer.

     

  7. PatoPuto Says:

    Galera, eu lembro da primeira campanha que eu vi aki no Brasil com QR Code. Foi da Fast Shop a pouco tempo e utilizava os QR Codes nas lojas para dar desconto na hora para os produtos. Quem tirasse uma foto do QR Code ganhava o desconto. Pode não ter sido a pioneira, mas eu achei interessante a mecânica no estilo “venha conhecer uma nova tecnologia e se beneficie dela”.

    Além do que, concordo com o Werner, alguém tem que ser o primeiro para lançar a tecnologia, obviamente lançar apenas por lançar é burrice, mas se for esperar também para lançar a melhor coisa do mundo com aquela tecnologia pode esperar sentado, o melhor é relativo e sempre superável.

     

Leave a Reply

 

 

|