Estalo entrevista Russell Davies

escrito por estalo.org em 23/09/2008 | Sem comentários
categorias: Eventos, russell davies

No dia 22 de outubro, São Paulo irá sediar o New Brand Communication 08, um evento sobre idéias e inovação que promete fazer barulho. Dando uma olhada no elenco de palestrantes vemos uma série de pessoas que realmente fazem coisas diferentes acontecerem. Uma delas é o Russell Davies, um dos planejadores mais influentes dos nossos tempos (além de ser parceiro do Estalo).

O Russell fez a gentileza de nos conceder a seguinte entrevista:

Estalo - Você já sabe qual a mensagem que irá passar no New Brand Communication, em São Paulo? Pode nos contar um pouco?

Russell Davies - Ainda não tenho idéia. Eu só sei que falarei sobre o que as marcas podem aprender com algumas “web-brands” e como isso é um jeito melhor de ser interessante e persuasivo. Mas eu ainda não sei direito como isso vai funcionar. Eu normalmente escrevo minhas apresentações no dia anterior para que ela possa ser um pouco mais relevante de acordo com o lugar onde eu estou.

Estalo - O estalo é formado por uma audiência primária de planejadores e todos gostariam de saber: Por que Russell resolveu abandonar a profissão de planejador em agências de propaganda?

Russell - Eu não diria “abandonado”. Isso soa muito pesado. Eu simplesmente deixei uma agência de propaganda, isso não é o fim do mundo. Ninguém fica em agência para sempre.

Estalo – Russell, estamos assistindo a um movimento curioso do mercado de planejamento: alguns dos planejadores mais famosos do mundo estão deixando a estrutura tradicional de agências e indo fazer consultorias e freelancer em projetos específicos. Seria essa a tendência natural a partir de um certo ponto da carreira? Por que você acha que isso está acontecendo?

Russell – Planejadores sempre deixaram as agências para fazerem consultoria. Isso sempre aconteceu e continuará acontecendo. Porém, acho que isso está acontecendo com planejadores um pouco mais jovens do que de costume.

Eu acho que isso acontece por alguns motivos:

1. Planejadores ficam entediados com a propaganda. Eu acho que planejadores tendem a ser naturalmente pessoas curiosas. Gostam de fazer coisas que não sabem direito como. Então, depois de um tempo, quando eles acham que absorveram tudo o que podiam da propaganda, vão fazer outra coisa da vida.

2. Planejadores ficam frustrados com os criativos. Eu penso que muitos planejadores querem fazer suas próprias coisas e não só ficar pastoreando gente para fazer coisas. Eles ficam frustrados quando se veêm tendo que convencer pessoas a fazerem coisas do jeito certo. Eles querem fazer coisas doseu próprio jeito. Então eles começam a montar negóciosem que eles mesmo estão no comando.

3. Planejadores arruam emprego muito fácilmente fora da propaganda. Muitas companhias querem gente com skills de planejamento. Planejadores são mais demandados fora da propaganda que qualquer profissional de outra disciplina. Então, eles podem juntar uma boa grana e aprender coisas novas, trabalhar com novas pessoas e estar mais no controle das coisas fora da propaganda. Por que alguem ficaria?

Estalo – Já que você dá palestras para públicos de diferentes países e participa de uma rede com outras pessoas ao redor do mundo, que tipo de curiosidades vc nota em relação a como diferentes culturas entendem e aplicam o conceito de criatividade?

Russell – Não viajei tanto assim para saber. A única coisa que eu diria é que trabalhos medíocres parecem ser medíocres da mesma maneira em qualquer parte do mundo. A mesma coisa vale para trabalhos brilhantes. As melhores pessoas – onde quer que vocês as encontre – sempre colocam alguma coisa delas e da sua cultura no trabalho que desenvolvem.

Estalo – Um dos maiores trabalhos do planejador é criar conceitos e para as marcas e correr atrás da tal “big idea”. Porém, recentemente escutamos você falando que hoje a comunicação funciona melhor em pequenas ações do que em grandes idéias. Como fica o papel do planejador nessa sua visão? As pessoas não se importam mais com as nossas big ideas?

Russell – No mundo real as pessoas não estão nem aí para “big ideas”. Pelo menos não para big ideas de comunicação. Porque normalmente elas significam idéias interminavelmente repetidas. A mesma coisa de novo e de novo. Ninguem gosta disso. No mundo real as pessoas querem ver coisas novas e interessantes, e elas não precisam necessariamente ser grandes, mas apenas interessantes. O papel do planejador nesse mundo deveria ser uma pessoa que sempre traz muitas idéias. Afinal, o único jeito de ter uma boa idéia é tendo várias delas.

Estalo - No Brasil a área de inovação e inspiração ainda é incipiente. Para terminar, gostaríamos que você nos contasse um pouco mais sobre o projeto da Open Intelligence Agency- e dê uma dica para os planejadores que estão insatisfeitos com o seu trabalho em agências de propaganda (que não seja “Embrace failure!”).

Russell - Eu não posso contar muita coisa para vocês sobre o OIA. Nós somos apenas 4 planejadores que trabalhamos de maneiras diferentes para fazer os melhores trabalhos que podemos. Não temos técnicas especiais, apenas trabalhamos duro.

O conselho que eu dou para planejadores que não estão satisfeitos é simples, mas meio chato: caiam fora. Não trabalhem em algo que não lhes satisfaz. Ou então mude de idéia e consiga achar alguma satisfação no que estão fazendo. Planejar pode ser o trabalho mais interessante do mundo, mas você precisa decidir se interessar. É preciso trabalhar nisso.

Estalo - Muito obrigado

Russell - Cheers.

Para quem não pode esperar e quer absorver um pouco mais das idéias do planejador mais famoso da blogosfera, resgatamos uma entrevista dele do começo do ano, em que ele toca um pouco mais no tema “big ideas”. Deleitem-se:

 

No Responses to “Estalo entrevista Russell Davies”

  1. rita almeida Says:

    noooossssa, eu adoro as opiniões e a linguagem do Russell,
    é uma super referência pra mim,
    fãzona mesmo
    Ritz

     

  2. The Hidden Persuader Says:

    Estou com o Russell, estou farto do léxico das «big ideas» cada vez mais usado pelas agências e clientes. Quando não há nada de interessante para dizer ou comunicar, aparece sempre o palavrão «big idea», soa bem, é uma espécie de Santo Grall que nos vai salvar a todos :)

     

  3. Mastropietro Luiz Says:

    Esta questão da Big Idea é interessante.

    Outro dia vi alguém criticando a nova campanha da Microsoft da CP+B, alegando que “as histórinhas do Seinfield não conversam com o novos filmes “I’m a PC”.

    No fundo essa pessoa que criticou a campanha estava esperando mais uma execução/repetição de uma mesma idéia – a tal da “big idea” da Microsoft.

    Será que as idéias precisam conversar tão literalmente entre si?

    Elas podem flertar. Já basta. Foi isso que a CP+B fez com as primeiras duas fases da campanha da Microsoft.

    Senão vira aquela coisa: packshot da “big idea” no outdoor, que é igual a midia impressa, que é igual ao “hot site”, que é igual ao keyvisual.

    Consistência não significa repetição.

    Mas é inegável que é muito mais difícil vender coisas diferentes sem uma “Big Idea”.

     

  4. André Troster Says:

    Acho que qualquer conceito, por melhor que seja, pode se tornar inválido se for over-explorado.

    Não dá pra chegar agora e achar que Big Ideas na verdade não servem mais e o que pega são milhares de ações interessantes. Senão daqui a pouco vai acontecer o contrário: as ações interessantes não vão prestar mais e precisaremos de novo das Big Ideas.

    Se a gente não pedir mais da Big Idea do que ela pode nos dar (como se tem feito), ela nunca vai nos deixar na mão.

    Abraços!

     

  5. estalo.org » Blog Archive » nbc no twiiter do estalo Says:

    [...] demos uma prévia do NBC por aqui na entrevista com o Russell Davies. Agora vamos completar o serviço fazendo a cobertura do evento ao vivo. O Yassuda já está indo [...]

     

  6. bruno chenque Says:

    Bela entrevista.

     

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