aprendendo com os GP’s de Cannes
escrito por Werner Iucksch em 26/06/2009 | Sem comentários
categorias: Pensamento, Prêmios
O Festival de Cannes está acabando e os GPs de algumas categorias mostram bem como o pensamento sobre comunicação está mudando. Eu definiria isso com um conceito:
“Comunicação Palpável”
Diversos dos GPs não se limitaram a fazer anúncios. Eles se preocuparam ao extremo em reduzir a chance de rejeição ao blá-blá-blá típico e manjado da propaganda, se propondo a ajudar a resolver problemas ou realizar sonhos na prática, ou seja FAZER coisas de verdade de maneira inspiradora, trabalhando em conjunto com o produto para oferecer algo relevante e inesperado. Vejam só:
Direct, RP, Cyber/Site
Queensland Tourism – Best Job in the World (CumminsNitro Brisbane): aproveita o poder do imaginário coletivo, e entrega a real possibilidade de executá-lo, para comunicar.
Mídia
Nestlé – Kit Kat Mail (JWT Tóquio): criar um novo produto, cujo uso (mandar pelo correio) comunica o emocional
Promo
Yubari Resort (Beacom Tóquio): aproveitou um “feature” real da cidade para criar uma maneira de “abençoar” casamentos que pôde ser desdobrada de maneira a gerar receitas para uma cidade inteira.
Cyber/Publicidade
Fiat – Eco:Drive (AKQA Londres): entrega a mensagem ao ajudar as pessoas a economizarem combustível
Logicamente não é simples de fazer isso, mas me parece fato que aqui no Brasil ainda estamos meio fracos na maior parte dessas categorias (que talvez devessemos começar a chamar de “fundamentos”). Saem coisas legais com print, mas é basicamente isso. É “criatividade de nicho” (não vou nem entrar no mérito dos fantasmas).
Como chegamos nesta?
O Alexandre Gama (no M&M desta semana) tirou as palavras da minha boca: no passado os brasileiros descobriram um jeito de ganhar leão em press e ficaram fazendo isso, esquecendo do resto. Síndrome do olhar para o umbigo somado à bunda pregada na cadeira. Publicitários concorrendo entre si, pensando em aparecer no “Anuário”, reclamando que cliente não entende nada de comunicação (pois não aprova idéias “brilhantes”) e não pondo o pé em ponto de venda NEM À PAU. Exceções existem, mas o dia a dia funciona assim.
Mas tem solução…
Não é fácil, passa por como a gente é premiado dentro das agências, como jurados dos festivais nacionais analisam os cases, por como os projetos são conduzidos dentros das agências, pelos recursos humanos disponíveis, etc. Porém, talvez a coisa mais importante seja pensar um pouco no tipo de desafio que nos colocamos.
Acho que as premiações internacionais voltarão ao Brasil na medida em que a gente consiga ir um pouco além de responder à pergunta “Que vantagem Maria leva?” com mais frequência, passando a responder o seguinte: “Como eu vou ajudar Maria a levar vantagem?”.
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Junho 26th, 2009 at 2:33 am
Tudo indica que 2009 está sendo um marco neste sentido.
Agora parece que caiu a ficha, especialmente para a grande mídia e as grandes agências.
A porcentagem de agências menores, independentes, asiáticas, e outras coisas não tão comuns na história de Cannes nunca estiveram tão presentes (com excessão das categorias Film e Print). E é impossível isso não assustar a própria indústria que criou Cannes.
Eles criaram um monstro, e agora estão tendo que correr atrás.