Há males que vem para o bem

escrito por Werner Iucksch em 10/09/2009 | 7 comentários
categorias: Estalo Convidado

O grande Rapha Barreto, diretor de planejamento da DPZ, anda inspirado e pensativo. Segue a sua reflexão sobre o “Caso Tsunami” e o lado bom disso.

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Não cabe a mim julgar a posição de cada agência sobre campanhas fantasmas. Muito menos se é merecido ou não uma delas que é a favor disso se dar muito mal por ter aprovado com seu cliente local uma campanha de mal gosto para disputar prêmios. Afinal, a maioria das agências são pró-fantasma no Brasil. E a cultura do prêmio está arraigada na publicidade brasileira. Uma dessas agências finalmente pagou o pato. E que bom que foi uma grande, porque se torna mais emblemático, mais chocante, mais doído para a gente.

De qualquer jeito, não me cabe julgar. Talvez um dia eu erre publicamente e vou querer o perdão e a benevolência de todos. E a partir daí, focar no ajuste, no “kaizen” da coisa toda (kaizen = filosofia boa para qualquer um. Ensina humildade).

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Eu adoro as coisas boas advindas das coisas ruins. O One Show ter estabelecido punições severas – a banição de 5 anos para criativos e a agência – a quem inscreveu um fantasma é de se comemorar. Muito. Vestindo óculos gigante amarelo, chapéu roxo e uma matraca. Num carnaval de rua. Enfim, eu estou muito feliz.

Cereja do bolo: o chefão do One Show, inclusive, diz que irá envolver as outras grandes premiações nesse novo clima de austeridade. Peroba neles!

Isso significa que uma agência brasileira se quiser ganhar prêmio de agência do ano de novo, vai ter que ralar para colocar as coisas criativas na rua, e não nas inscrições. Um Viva a essa obrigação! A esse fardo! Viva a tarefa hercúlea que é enfiar alguma coisa muito boa na rua. Eu não consigo todo dia, nem toda semana. Mas é tão bom quando é genuíno, quando o prêmio é consequência natural de bons trabalhos.

Se as agências brasileiras não aprendiam por bem, que aprendam por mal. Tanto faz. O importante é que agora, talvez, quem ainda queira ter a pecha de agência criativa, vai ter que colocar a cobrança de criatividade numa sala tensa, numa terça-feira chuvosa, num rebrief de um cliente qualquer, num job que tem prazo para sexta-feira próxima. Tudo de verdade.

Que bom. Agora nos falta recriar alguma identidade criativa e parar de copiar estilos. Seja livre para provocar. Não custa nada, só trabalhar de verdade para coisas de verdade. Se ficar muito bom, mande para um prêmio. Mereça o prêmio. Ganhe o prêmio.

E, depois disso tudo feito, talvez a minha vergonha por ser um publicitário brasileiro passe mais rápido.

 

7 Responses to “Há males que vem para o bem”

  1. Pedro Daltro Says:

    Partilho dessa vergonha tb.

    E que bom que alguém questionou esse título de agência do ano da DM9… que eu me lembre, só o Marcello Serpa falou alguma coisa em seu twitter, logo depois do anúncio oficial

     

  2. bruno chenque Says:

    inspirador.

     

  3. Rodrigo Says:

    Fantástico.

     

  4. Alex Luna Says:

    Se brincar, agora que pagaram pra ver, todo mundo mostra as cartas, reembaralhamos o baralho e tudo começa outra vez, né?

     

  5. Bárbara Bufrem Says:

    Achar legal ganhar prêmio com peça fantasma é o cúmulo da baixa auto-estima, né?

    #prontofalei

     

  6. Miranda Says:

    Effie Awards neles

     

  7. Dima Says:

    Grande Rapha. dizer que ele anda inspirado é até sacanagem, o cara vive inspirado… e inspirando, o que é ainda mais legal.

    Parabéns pelo texto e por colocar o dedo nessa ferida.

    Além da questão “fantasma”, me chama atenção como via de regra as ‘contas’ de organizações do Terceiro Setor (e nesse caso lastimável, a WWF)são as grandes vítimas.

    Aqui no Brasil, não me parece que a maioria das campanhas criadas para estas busquem um real engajamento e despertar da consciência das pessoas para as causas que defendem.
    Quando o job é de uma ong, quanto mais ‘criativo’ melhor, mesmo que seja ineficaz. afinal alguém que não paga pelos serviços da agência (em virtude das relações pró-bono) vai reclamar do que?

    as contas de ongs, são sim (de maneira geral), vistas como uma grande oportunidade de ganhar prêmios aqui e ali, e pra piorar, a maior parte destes ainda é fantasma.

    abs.

     

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