padres e diretores de marketing

escrito por Mastropietro Luiz em 15/12/2009 | Sem comentários
categorias: Pensamento

Há cerca de 25 anos atrás, um padre de Itajobi teve uma idéia inusitada para tornar a sua capela única: pintar a sua igreja com blasfêmias contra Jesus, palavrões e mulheres peladas. Na época, a idéia causou polêmica: fiéis de todo o Brasil protestaram, colocando a paróquia de Itajobi no hall da fama das igrejas (mais controvérsas) brasileiras.

Vinte e poucos anos se passaram e as pinturas demoníacas continuavam lá. Gerações nasceram e conviveram pacificamente com as imagens. Casamentos, batizados, comunhões e histórias de vida se entrelaçavam em meio à inusitada paróquia. A relação com as pinturas era tamanha que alguns moradores já a consideravam um patrimônio histórico da cidade.

Mas um belo dia, um novo padre assumiu o comando da igreja. E para imprimir a sua marca na nova gestão, a primeira coisa que ele fez foi promover uma reforma geral que incluía a remoção das pinturas. E assim foi: no lugar do colorido demoníaco, sobraram apenas paredes brancas e opacas.

Raramente escrevemos sobre religião aqui no Estalo. Mas o caso de Itajobi tem algo em comum com as marcas que nos rodeiam no dia dia. Quantos casos de mudanças de conceito e inconsistência testemunhamos a cada safra de novos diretores de marketing?

Se Skol desce redondo, MakiColor são belas etiquetas adesivas, o Jhonny Walker Keep Walking até hoje e a Nike Just Do It, é porque em algum momento eles cravaram uma história consistente na vida de muita gente.

Mas e no caso da igreja? Será que existia realmente um problema de incosistência por parte da igreja de Itajobi? Explorar um tema que raramente é explorado em igrejas (o pecado, que é parte da história da fé católica) é inusitado porém dispensável.

Estaria então a real consistência da igreja de Itajobi em voltar ao passado e realçar as suas origens mais puristas (como o “marketing central” da igreja católica via de regra prefere)?

 

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